Universidade Federal de São Paulo
Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Ata da Plenária de 26 de março de 2012.
A reunião, inicialmente prevista para as 19h00 (dezenove horas), iniciou-se às 19h30 (dezenove horas e trinta minutos).
Procedeu-se primeiramente a uma discussão sobre a composição da mesa e sobre
a periódica rotatividade desta a cada reunião. Após defesa de cada uma das propostas
optou-se por revezar os integrantes mantendo-se a estrutura de um membro voluntário
de cada curso, aprovado por aclamação dos colegas.
Iniciando os trabalhos propriamente ditos, a primeira questão a ser deliberada foi
o teto máximo, constando de três propostas – 21h30 (vinte e uma e trinta), 22h00 (vinte
e duas horas) e 22h30 (vinte e duas e trinta) – proponderando em votação a segunda
A reunião foi pensada, então, nos seguintes termos:
1. Informes – dez inscrições com tempo de 2 (dois) minutos;
2. Delimitação das pautas de reivindicação, necessárias à negociação com
as esferas docente e servidor-administrativa – vinte inscrições de 3 (três)
minutos cada totalizando uma hora de discussão;
3. Acerca da configuração e dinâmica do comando de greve.
O aluno Marcos (“Positivo”), do curso de Ciências Sociais, procedeu a uma
contraproposta defendendo que a reunião tratasse exclusivamente do comando de greve
e do calendário e que as pautas fossem deliberadas em GDs (grupos de discussão) ao
longo do processo até a Assembleia geral marcada para quarta-feira (28/03).
Alexandre, das Ciências Sociais, argumentou sobre a importância de se
determinar a pauta caso contrário resultariam nulas as possibilidades de diálogo e
negociação com os outros setores da instituição universitária.
Bruno, do curso de Filosofia, propôs que fossem deliberados mediante o debate
ao menos os eixos da pauta de reivindicação e que a discussão privilegiasse a função,
estrutura, composição e funcionamento do comando de greve.
Frente ao impasse, procedeu-se à votação das propostas e ficou estabelecida a
prevalência da pauta como objeto central do debate.
Novamente duas propostas concorrentes foram apresentadas, dessa vez em
relação ao procedimento a ser adotado: se se procederia à leitura, ponto a ponto, da
pauta levantada durante a greve de 2010 como base para a discussão – proposição
defendida pela aluna Juliana, do curso de Filosofia – ou se o método seguiria a
condensação em eixos mais gerais – já colocada por Bruno.
Sobressaiu-se em votação a primeira.
Estabelecidos, assim os tópicos concernentes ao objeto e metodologia da
plenária, deu-se continuidade à dinâmica proposta com o repasse dos informes gerais.
A primeira fala, de Sandra, do CSP-Conlutas, expressou repúdio à
criminalização dos movimentos popular e sindical e solidariedade ativa à causa do
movimento estudantil por parte da entidade, fazendo saber que esta disponibilizaria,
caso necessário, suporte na forma de carro de som e impressos. Deixou contato com a
comissão de Comunicação (terçasocial@yahoo.com.br/ cel.: (11) 9784-5967)
Joel, associado ao PSTU, igualmente manifestou apoio à justa mobilização,
citando os percalços na macro-conjuntura políticoeconômica de países como a Grécia,
França e Portugal e as muitas manifestações emergentes nesses sítios, movimento
flagrante também no Brasil, não infenso ao rolo compressor da agressiva especulação
capitalista. Ressaltou especialmente a precarização da Educação e reafirmou a
necessidade de expandir o movimento para além dos muros da Universidade bem como
da unificação da luta por parte dos diversos setores sociais. Por fim convidou a uma
manifestação prevista para quinta-feira (29/03) na Câmara Municipal por ocasião da
votação de reajuste salarial dos vereadores em 60%, ressaltando a disparidade em
relação aos 5% no limite para os demais servidores.
Fabiana, aluna de Filosofia, representando o Sindicato dos professores da rede
pública de ensino do Estado (Apeoesp), comunicou a o apoio e disponibilidade por
parte da Associação do aparato necessário à manifestação (tel.: (11) 2440-2466 – falar
com Cláudio ou Marcelo).
O aluno Jônatas, de Letras, procedeu ao informe de todas as 11 (onze)
comissões aprovadas na reunião de sexta (23/03), incentivando o engajamento e a
participação no processo via email (greveunifesp@gmail.com). Deu a conhecer aos
presentes, igualmente, trabalho da comissão de Comunicação que consiste na
veiculação, através de blog e redes sociais virtuais, de informações pertinentes à
Juraci, da Filosofia, falou sobre o trabalho desenvolvido no blog do CAHIS.
Também mencionou a noção de ‘heurística do afeto’. Por fim, conclamou os colegas a
uma autoavaliação para não recair nos mesmos erros que teriam sido cometidos na
greve decretada em 2010: isolamento, falta de articulação com a comunidade e com o
movimento sindical. Salientou a necessidade de uma pauta, uma moeda de troca que
não fosse exclusivamente a greve.
O aluno Cláudio, de Letras, chamou a atenção para a realização por parte dos
professores de uma reunião geral a ser realizada na terça-feira (26/03) tendo como
propósito debater a greve e situação da infraestrutura do campus. Insistiu na atenção ao
debate, na sistematização da pauta, na análise determinação minuciosa dos tópicos de
cada um dos quatro eixos para que se tivesse clareza nas discussões que se seguiriam
com o setor docente e com a esfera administrativo-servidora. Fez ainda um repasse
sumário da discussão posta por ocasião da aula-greve do professor Pedro Arantes,
debate que, bem lembrou, extrapola a mera questão física do prédio.
Daniele, do curso de Ciências Sociais, falou como porta-voz da Associação dos
Metroviários, expressou solidariedade ao movimento estudantil e procedeu a um breve
diagnóstico da situação dos trabalhadores do transporte metroviário.
Henrique, também de Ciências Sociais, fez o repasse da comissão de negociação.
Nesse ínterim, às 20h16, foi informado pela mesa o início das inscrições para
enunciação das pautas.
Tiago, de Letras, falou pela comissão de documentação e arquivo convocando à
participação nessa comissão em especial, e em outras, carentes de membros para compô-
la. Fez também apelo à presença da aluna Ana, de História, e do aluno Carlos Alberto.
O aluno José Mário, de Filosofia, objetou que algumas falas não tinham caráter
de informe, alegando monopólio do primeiro momento do debate por parte de entidades
A assembleia manifestou descontentamento na forma de apulpos, assovios e
vaias que interromperam a fala do colega.
O aluno Róger, de História da Arte, pediu uma intervenção por uma questão de
ordem e afirmou em sua fala que o aluno Mário estava atrapalhando o processo de
Foi assegurada por parte da mesa o seu direito de fala e na continuidade da sua
declaração, o aluno alegou estar na obrigatoriedade de esclarecer a assembleia a
respeito do caráter de aliciamento e cooptação subjacente a algumas colocações feitas,
afirmando ser essa uma estratégia corrente no meio de discussão política.
Foi dado o direito de resposta e a estudante Juliana, de Filosofia, rebateu
lembrando que o companheiro é ligado ao PSOL, não estando, portanto,
necessariamente imparcial em sua postura, destituído seu discurso daquela
objvetividade e neutralidade que, implicitamente reclamava para si.
Henrique, de História, pediu fala em questão de ordem a respeito da atenção
necessária ao calendário estipulado pelo seu curso para que não conflite com as outras
atividades programadas pelo comando de greve.
A aluna Ana, do curso de História, indicou a leitura da Revista Pensata,
periódico do curso de Pós em Ciências Sociais da Unifesp (disponível no hiperlink –
http://www.unifesp.br/revistas/pensata/). Falou também sobre encontro, na sala 05 do
CEU, de um grupo de teatro vinculado às atividades da greve, esclarecendo que
proporia oficialmente no momento adequado da pauta.
Às 20h27 (vinte horas mais vinte e sete minutos) iniciou-se o processo de
discussão em torno das pautas de reivindicação.
Procedeu-se a princípio à leitura pela mesa da sistemática da pauta elaborada no
dia cinco de setembro de 2011 (05/09/2011).
(Pauta elaborada na greve de 2012)
Carla, de Ciências Sociais, propôs bolsa transporte e que a reivindicação não se
restringisse ao “Itaquerão” mas que incluísse linhas de transporte público coletivo num
movimento conjunto com a comunidade do bairro. Pediu objetividade nas pautas, que
fossem ordenadas por critério de prioridade. Sugeriu a compra do terreno em frente ao
CEU Pimentas, recentemente alugado pela Unifesp, e a implantação do curso de
Geografia, bem como a importância de trazer também o curso de Direito.
Igor, complementando a fala da colega de curso, ressaltou que os estudantes
mais que requisitar, deveriam exigir a adoção de tais cursos para o campus. Propôs
ainda alugar um outro espaço durante a construção do prédio definitivo. Defendeu a
autonomia da Universidade em relação à Prefeitura de Guarulhos e, por fim, que a pauta
reunisse seis ou sete pontos que, somados às reivindicações de outros setores,
consolidariam a agenda da greve para pressionar a Diretoria Acadêmica e a Reitoria.
José Mário, endossou em sua fala a do colega, depois do que criticou o atual
sistema político-administrativo que, herdeiro das políticas de privatização do governo
Fernando Henrique Cardoso e perpetuado na gestão do PT, privilegia os Bancos. Esgota
os recursos públicos no pagamento da dívida da União ao invés de emprega-los em
setores essenciais, relembrando a bandeira dos 10% do PIB para a Educação.
Juliana, observa que, independente da questão da ordem das reivindicações, que
sobretudo seja garantida a transparência dos processos e reafirmou o caráter político da
discussão da Universidade cujo projeto liga-se ao REUNI.
Juraci falou sobre a existência real da repressão aos movimenos populares e ao
movimento estudantil e ressaltou a urgência de se trazer ao campus representante do
Ministério Público para que este se conscientiza das reais condições de falta de
infraestrutura que sofrem os alunos, dos quais quanrenta e oito sofrem processo por
questionar justamente a situação de pracariedade e descaso por parte de setores da
instituição Unifesp. Salientou ainda a necessidade de se preservar o caráter permanente
de mobilização frente ao perigo de se cair em paralisações intermitentes e constantes
que desgastariam a imagem e a dinâmica do movimento. Por conta disso, elogiou o
trabalho contínuo através de blogs e outros meios virtuais, instrumentos importantes na
conscientização daqueles que, por falta de uma visão mais ampla, fundamentalmente
comprometida com a causa política e democrática, mostram-se relutantes em apoiar a
greve. Propôs também a participação dos partidos através do aparato disponibilizado
por essas organizações (caminhões de som, serviços de impressão gráfica por parte do
PSOL, PSTU e outros) para o Ato marcado para quarta-feira (27/03). Por fim chamou a
atenção para a necessidade de documentar, registrar e veicular tais eventos bem como o
desenrolar de toda a mobilização.
Complementando, Daniel lembrou que parte do material impresso já fora
impresso e que se encontrava disponível no grupo “Moradores do Bairro do Pimentas”
na rede social Facebook.
Vivian, da História da Arte, procedeu a uma apreciação do panorama da greve
como hipercrítico, com problemas estruturais complexos e não facilmente solucionado
com medidas exclusivamente imediatas ou pontuais como, no caso dos transportes, a
compra de mais fretados. Defendeu, desse modo, a constução de um movimento
unificado entre os diversos setores da Universidade e do bairro, capaz de pressionar a
Reitoria e o Poder Público para melhorias substanciais para todos. Defendeu a
transparência dos processos licitatórios e a fiscalização destes por meio de uma
comissão composta por alunos, funcionários e professores. Igualmente, primou em sua
fala pela garantia de instalações adequadas para que os alunos e docentes possam
Alexandre, expôs o conjunto de fatos que resultaram nos processos de acusação
contra os quarenta e oito estudantes que ocuparam a Diretoria Acadêmica em 2007 e a
Reitoria em 2008 e cuja punição corresponde à expulsão destes mesmos alunos.
Defendeu a retirada das câmeras alegando não se tratar de dispositivos de segurança
mas de vigilância e também o fim do vínculo com entidades ligadas à cupula docente de
medicina e empresas privadas.
Bruno ressaltou a relação dialética que se mantém entre a infra e a superestrutura
da Universidade propondo uma reflexão crítica, sistemática e continuada sobre o
Estatuto da Unifesp, seus pressupostos e consequentes
Como ilustração da promiscuidade fiscal elencada na fala do companheiro anterior,
remeteu a uma matéria do informativo Metro News sobre a locação de um imóvel
situado nas imediações da região da Penha por parte da Unifesp, negociação efetuada
por órgão privado e que teria como propósito abrigar a comunidade acadêmica do
campus Guarulhos-Unifesp quando da transferência deste para fora do bairro dos
Pimentas, projeto que teria adesão e apoio de parte do corpo docente. Defendeu também
alterações na estrutura vertical de poder com a destituição do reitor e diretor acadêmico
(indicados pela Presidência da República) e implementação de uma gestão conjunta,
participativa, horizontal e democrática. Criticou a falta de projeto do corpo discente
refletida na extensão da pauta de reivindicação.
Daniel alertou para matéria na página da Folha Online recém publicada e que
continha declarações do Reitor expondo a posição instirucional da Unifesp a respeito da
Marcos propôs que a greve tivesse como condição para encerramento a renúncia
do atual diretor acadêmico e do reitor e abertura de eleições diretas para esses cargos.
Salientou que a questão dos entraves estruturais não constituirem problemas de natureza
simplesmente burocrática mas esconde procedimentos ilícitos de desvio de verbas.
Como exemplo, citou matéria jornalística ligando a figura do reitor ao gabinete do ex-
reitor, sobre quem, por sua vez, pesariam investigações da Interpol.
Cláudio procedeu à leitura de uma pauta sistematizada em determinados eixos
(prédio, moradia estudantil, restaurante universitário, creche, transporte, fim dos
processos contra os quarenta e oito alunos e democratização da Universidade). Criticou
em seguida o projeto político-ideológico do ensino e sua lógica privatista.
Igor defendeu a sistematização em eixos mais gerais: estrutura, permanência,
não à repressão aos quais somou autonomia política com horizontalidade da gestão e
permanência do campus no bairro.
Renato, da Filosofia, insistiu na coerência das pautas específicas com o
programa geral orientado pela crítica ao projeto do REUNI, à política de vinculação ao
Banco Mundial que mercantiliza a educação em todos os níveis do ensino público
transformando-a em estância formativa técnico-burocrática e funcionalista e elitista.
Pautas relevantes, nesse sentido, seriam a conversão do restaurante univesitário em
restaurante popular, a abertura dos contratos da empresa que faz o traslado Unifesp-
Itaquera e a garantia de acesso à biblioteca da população local.
Rodrigo, do curso de Ciências Sociais defendeu a compra do terreno em frente
ao atual para a construção do novo prédio e a utilização deste para instalação de
aparelhos como o “bandejão” e espaços comunitários de vivência. Pleiteou também a
implantação de linhas intermunicipais de transporte público coletivo a intervalos de
meia hora a preços acessíveis e justos a todos aqueles que circulam nesse trajeto.
Daniele, por sua vez, defendeu ônibus a intervalos regulares de 10 mim. (dez
minutos) provenientes de outras regiões da cidade de São Paulo como Carrão, por
exemplo, pleiteados mediante abaixo-assinado endereçado à Secretaria de Transportes e
à EMTU (Empresa Municipal de Transporte Urbano). Também a creche seria de
fundamental importância para usufruto de alunos, professores e principalmente
funcionários, servindo além do mais como fonte privilegiada para desenvolvimente do
trabalho de laboratório pedagógico, efetuado também nas escolas locais.
Guilherme, de História, enfatizou a importância de uma mobilização constante e
concentrada. Trouxe à tona o fim da última greve, deflagrada por um pensamento de
que as pequenas conquistas seriam suficientes e aconselhou a evitar a tentação de falsas
soluções, atentar, pelo contrário, para aspectos concretos e substanciais da luta. O que
estaria em jogo seria o sucateamento do ensino e a reivindicação de educação pública e
formação de excelência, profissional e, em última instãncia, essencialmente humana.
Destacou o papel da manifestação de quarta como expressão desses ideais.
Ana defendeu a politização da pauta, o questionamento ativo da estrutura de
poder, a renúncia do reitor e diretor acadêmico e o repúdio à utilização do CEU-
Pimentas e ao projeto do REUNI. Propôs também o fim do Código Discente e que
qualquer normatização específica dessa natureza seja incluída no Estatuto da
Universidade. Além disso colocou a questão da criação de um espaço amplo que
comportasse reuniões de todos os Centros Acadêmicos estudantis e também a reforma
do atual espaço do C. A. Por fim, insistiu na necessidade de pressionar vários órgãos
(universitários, municipais, estadurais e federais) para diminuir o valor atual das tarifas
de ônibus bem como reiterou a urgência em se contratar permanentemente os servidores
do quadro da Unifesp por ora contratados em regime privado e terceirizado.
Gabriela (“Gabi”) de Ciências Sociais defendeu uma representatividade
realmente efetiva que se contrapusesse à falta de transparência corrente nos processos
de construção do prédio central do campus, e outros editais e serviços. Propôs que a
comissão de Comunicação se mantivesse ativa mesmo depois de finda a mobilização
estudantil. Reafirmou a questão do fim da privatização dos serviços atualmente
contratodos pela Unifesp para que haja melhoras e garantias aos funcionários que
compõem esse quadro. Propôs, por fim, que os pontos de pauta fossem sistematizados e
publicados no blog da greve.
Renato, pediu uma questão de ordem chamando a atenção para um ponto de
pauta que quedou esquecido, a saber, a paridade estudantil na representação do
Conselho Universitário (CONSU) ora configurado com 70% de representação docente e
30% restantes compartilhado entre discentes e funcionários.
Bruno, encaminhou a proposta de que se fosse votado e aprovado um indicativo
de pauta com todos esses pontos.
Alexandre defendeu novamente a importãncia de uma pauta definida e
estabelecida nessa reunião para dar prosseguimento à negociação com professores e
Ficou consensuado que os itens aprovados comporiam o indicativo de pauta,
que todos os pontos que não obtivessem consenso ficariam sujeitos a discussão e que
todas as reivindicação seriam encaminhadas para deliberação em assembleia na quarta-
A votação ocorreu e resultou deste modo os seguinte indicativo de pauta:
(Os 35 pontos de pauta que foram votados na assembleia de quarta)
A reunião teve seu término às vinte e duas e trinta (22h30).