Professor Julio Naranjo incita violência contra grevistas e ameaça estudante

O professor do curso de história, Julio Moracen Naranjo, atacou novamente os estudantes que, democraticamente, decidiram entrar em greve. Na tarde do dia 27 de abril, sexta-feira, um grupo de estudantes a favor da greve realizou uma ação para barrar uma aula que estava sendo dada pela professora Ana Nemi, pois dois dias antes, a assembleia geral estudantil havia votado a continuidade da greve por ampla maioria e, tantos os alunos que assistiam a aula como a professora, estavam desrespeitando a decisão e passando por cima de uma deliberação coletiva.

Diante deste fato, o professor Julio Naranjo, com o apoio de alguns estudantes recrutados por ele para propositalmente gerar confusão e tentar difamar os grevistas, entrou na sala e começou a agredir verbal e fisicamente aqueles que lutavam para que a decisão da
assembleia prevalecesse. O professor tentou partir para cima de alguns alunos, os atacou com insultos e, poucos minutos depois chegou ao absurdo de ameaçar um deles de morte. Julio disse claramente a um estudante: “Eu já matei. Eu sei matar”. Uma clara ameaça e uma atitude de alguém que só pode ser completamente contra os direitos democráticos dos cidadãos, pois somente em ditaduras é que grevistas e pessoas que lutam pelos seus direitos correm risco de morte por protestar.

Durante a confusão, inclusive, uma estudante do curso de Ciências Sociais foi agredida por um dos fura-greve. Ou seja, além de não respeitarem os direitos dos grevistas, estas pessoas que, diga- se de passagem, dizem agir em nome da “institucionalidade”, também não respeitam os direitos das mulheres. Como podem eles defender a “institucionalidade” se atos como a agressão de mulheres são considerados crime?

Na verdade, os defensores da “institucionalidade”, para repetir o cinismo da carta do diretor acadêmico, Marcos Cezar, têm uma ação completamente a margem da Lei, desrespeitam os direitos das pessoas e, se for necessário, como mostra este caso relatado acima, agridem deliberadamente seus opositores.

Este não é o primeiro fato desta natureza envolvendo o professor Julio Moracen Naranjo. No dia 25 de abril, pouco antes da assembleia dos estudantes, Naranjo furtou uma bandeira de Cuba com a foto de Che Guevara que havia sido colocada em um mastro na frente do espaço de Vivência Carlos Marighella, barracão construído pelos estudantes para protestar contra o fato da reitoria até agora não ter começado as obras para erguer o prédio definitivo do campus. O estudante conseguiu recuperá-la no mesmo dia e ela foi recolocada no lugar. No dia 27, no entanto, pouco antes da confusão que ele mesmo causou, Naranjo voltou a furtar a bandeira. Fato que, inclusive é crime, pois a bandeira pertence a um aluno que, gentilmente, havia emprestado ela para o movimento estudantil. No dia 27, os estudantes, apesar dos apelos, não conseguiram recuperar algo que estava sob posse
deles. Observamos neste caso que a tal “institucionalidade” dos anti-greve tolera até mesmo o furto de objetos pessoais quando a situação convém a eles.

O mais grave, porém, é o caráter político do ataque articulado por Julio Moracen Naranjo. Neste momento, a reitoria e a diretoria acadêmica estão ameaçando abertamente reprimir o movimento estudantil. Eles entraram na Justiça contra o Comando de Greve,
disseram que irão abrir sindicâncias contra os grevistas, entre outras coisas. O ataque do professor Naranjo, neste sentido, é parte da política de repressão e cassação dos direitos democráticos dos grevistas e da comunidade acadêmica como um todo. Trata-
se de uma atitude provocativa que tem como objetivo agredir e intimidar os que lutam pelas suas reivindicações e causar confusão naqueles que apoiam a greve. Mostra que por trás do discurso da ordem se esconde uma perversa tirania que tenta impedir que as pessoas expressem suas opiniões e lutem pelos seus direitos, no caso, o direito de estudar em uma universidade que seja realmente pública, que tenha qualidade e aberta para toda população.

Neste sentido, atitudes de violência contra o movimento grevista devem ser rejeitadas de forma veemente, pois elas escondem, como notamos neste caso, uma posição favorável a que a universidade se transforme em um verdadeiro campo de concentração, onde as pessoas não podem mais exercer os seus direitos, se manifestar, lutar por aquilo que acreditam.

O movimento estudantil repudia este tipo de ataque. Todos aqueles que defendem as liberdades democráticas devem fazer o mesmo para que esta luta contra a ditadura que se instalou nas instituições de ensino superior do País possa continuar se desenvolvendo e seja vitoriosa.

Nota de esclarecimento: Piquetes e greve

Há muitos boatos e fatos mal esclarecidos rolando pela internet, portanto nos sentimos na necessidade de postar uma nota de esclarecimento em relação aos últimos fatos ocorridos.

A decisão pela permanência da greve é um direito dos estudantes que se manifestam através do voto em assembléia. Isso, é inegável. Mesmo que alguns estudantes questionem essa deliberação, tendo quórum mínimo durante a votação, ela é legitima e continuará sendo defendida pelos estudantes que acreditam na mobilização estudantil. Assim como é um direito dos estudantes criticarem o movimento e se posicionarem contra a greve, também é um direito daqueles que a defende, utilizar de métodos para garanti-la.

Em relação aos argumentos contra a violência dos piquetes e das ações de movimento estudantil, temos algumas considerações a fazer:

1) A maior violência tem sido praticada por aqueles que não respeitam a deliberação em assembléia pela permanência da greve. Os professores e alunos que de forma covarde promovem aulas quando a maioria do campus se encontra paralisado são os primeiros a violentar o movimento estudantil.

2) Se os professores não estivessem promovendo aulas de forma covarde, como pontuamos acima, não seria necessário fazer piquetes. SÓ HÁ UM MOTIVO PARA SE AGIR DESSA FORMA, porque precisamos garantir a decisão da assembléia dos alunos, que é SOBERANA.

3) Quando a greve é desrespeitada e aulas acontecem, MUITOS perdem e POUCOS ganham. Com a greve estabelecida, a maioria do campus NÃO TEM COMPARECIDO A ESSAS AULAS  e os poucos que vão para “furar a greve” acabam prejudicando essa maioria. E é uma questão simples e lógica, se há aula, há lista de presença, logo uma minoria acaba prejudicando a maioria. Portanto, quando os professores se posicionam como vitimas é preciso refletir quem realmente está perdendo com essa ação.

4) Para quem está presente no campus todo dia é CLARO e evidente que a porcentagem de alunos que tem “furado a greve” e assistido aulas é muito pequena diante do número de alunos do campus. Logo, as ações do movimento só tem uma finalidade: GARANTIR que essa maioria do campus que não está em aula, não seja reprovado por falta depois que a greve terminar. E isso não contempla só o comando de greve, MAS TODOS OS ALUNOS que favoráveis ou não a greve, tem respeitado a decisão da assembleia geral dos estudantes.

Finalizando, pedimos que todos os estudantes ponderem melhor sobre os argumentos que tem sido postos em comentários do blog e redes sociais. Há muita coisa sendo dita e nem tudo é de fato verdade. Muitas ações foram gravadas e a comissão de comunicação já tem se mobilizado para colocar os vídeos no ar, e ai então as coisas poderão ser esclarecidas. Até lá, cabe a cada um avaliar de forma crítica o que é de fato violência e quem na verdade tem sido prejudicado com essas ações que ocorrem todos os dias no campus. Se são os “violentos alunos do movimento estudantil” ou os professores e alunos que de forma covarde não respeitam uma decisão tirada em assembléia.

Nota de esclarecimento: Seção artigos

Devido ao mal-entendido que estava ocorrendo em relação aos artigos publicado no blog a comissão de comunicação votou na última reunião pela criação de uma sub-página dentro do blog oficial do movimento para publicar todos os artigos enviados, possibilitando um melhor debate entre as partes.

Todos os artigos podem ser acessado através da página linkada na coluna lateral.

Nota de esclarecimento

Foi divulgado no calendário oficial da greve publicado no blog que hoje (09 de abril) ocorreria no pátio uma reunião do comando de greve as 19:30hrs. No entanto, havia sido deliberado em reunião do próprio comando na quinta-feira (05 de abril) que seriam realizadas reuniões com representantes das comissões e cursos para agilizar e facilitar o processo de organização do próprio movimento.

Essa pequena confusão no calendário culminou em alguns transtornos para os estudantes que não sabiam dessa deliberação e que esperavam por uma reunião aberta do comando de greve.

Pedimos desculpas em nome da comissão de comunicação e da comissão de organização e logística por essa falha, ressaltando que em nenhum momento houve a intenção de se fazer manobras políticas, ou fazer reuniões fechadas, mas apenas uma falha de comunicação entre as partes.

Aproveitamos para convidar todos aqueles que estavam ansiosos pela reunião do comando a se juntar as comissões, pois há muito trabalho a fazer e se todos participarem a representatividade no movimento será garantida.

Comissão de comunicação