Apoio Militante do PCB à nova ocupação da Diretoria Acadêmica da Unifesp Guarulhos

O PCB apoia de forma militante a nova ocupação da diretoria acadêmica do campus Guarulhos da Unifesp. Participamos da construção democrática dessa ocupação, aprovada em Assembleia Geral dos estudantes de Guarulhos. Faremos aqui uma análise de conjuntura que contextualize essa ação.

Esta ação é parte da onda de greves e mobilizações das universidades federais que se espalha por todo Brasil. A mobilização se torna nacional quando a greve convocada pelo ANDES-SN foi deflagrada em mais de 70% das federais do Brasil, quando acontecem também greves estudantis, de servidores e ocupações de reitoria – ocupações até mesmo propostas pelos docentes, como em Ouro Preto.

Fica clara a crise institucional que a educação passa em nível Federal, ocasionada pelo fracasso do REUNI. Os estudantes da Unifesp estão em greve desde o dia 22 de março, apontando para as contradições mercadológicas privatizantes e precarizantes que a expansão sem qualidade vem causando. Tais contradições chegam a um nível tão problemático e inconciliável que as categorias lesadas tomam consciência e embarcam na luta em todo país, o que dá força e renova o movimento grevista em Guarulhos.
A direita discente foi derrotada veementemente com essa articulação conjuntural importantíssima, e já não representa entrave real para o avanço da luta dos estudantes. Mas, apesar de uma conjuntura bastante favorável ao avanço da greve, os professores de Guarulhos cumprem um vergonhoso papel de freio à luta pela educação, seja na postura feudalizada de punição, perseguição e moralização do debate, seja nas tentativas de furar a greve estudantil com ameaças e terrorismo hierárquico, ou até mesmo tentando furar a greve da própria categoria deles – o que é ainda mais feio e submisso.

Cabe ao movimento pressionar e identificar os estratos mais progressistas dessa categoria e trabalhar para articular a adesão dos docentes de Guarulhos na greve nacional da categoria, só assim é possível a unidade entre as categorias contra a política precarizante e repressora da reitoria e da diretoria acadêmica.
No que se refere à unidade do movimento nacionalmente, cabe aprovar a participação do Movimento em Guarulhos na marcha pela educação em Brasília, convocada pelo ANDES-SN, cabe tomar a pauta dos docentes como bandeira do movimento, cabe articular ações com outras universidades no sentido de construir atos e ações conjuntas.
No que tange à construção da greve da categoria estudantil da Unifesp, surgem algumas tarefas táticas que devem ser cumpridas para a elevação do patamar da luta, principalmente num momento em que a greve está muito forte e a diretoria acadêmica foi ocupada, e são essas:

1 – Construir uma Assembleia Geral Intercampi;
2 – Aprovar Greve Geral estudantil;
3 – Aprovar a ocupação da reitoria da Unifesp.

Essas tarefas devem estar pautadas nas reivindicações aprovadas, na queda do diretor acadêmico de Guarulhos, na reformulação dos órgãos de representação da universidade – CONSU, Congregação e Conselhos Gerais – trazendo uma composição paritária e democrática.
É importante lembrar que o PCB defende a rearticulação do movimento estudantil pela base, construindo o DCE de conselhos como forma de desaparelhar a estrutura do ME e tornar mais ampla e fácil a articulação intercampi, e inclusive as lutas.
A universidade mercadoria deve ser contrariada pelo projeto da Universidade Popular, através da crítica e da construção de alternativas ao projeto mercadológico burguês de ensino, pesquisa e extensão. Só nas lutas, greves, ocupações, manifestações é que avançaremos, não só num projeto popular de educação, mas num projeto de poder popular para a sociedade e para a produção e reprodução da vida humana.

PELA UNIVERSIDADE POPULAR!
PELO DCE DE CONSELHOS!
TODA FORÇA À GREVE!
TODA FORÇA À OCUPAÇÃO!
CONSTRUIR A GREVE GERAL DA EDUCAÇÃO!

Carta aos docentes da EFLCH/UNIFESP reunidos em Assembleia Geral do dia 25 de maio

Caros docentes,

Como é de conhecimento de todos, os estudantes da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas se encontram em greve há quase 70 dias. Na noite de ontem, dia 24/05, a Assembleia Geral dos Estudantes, deliberou a Ocupação da Diretoria Acadêmica e de todo o campus Guarulhos. A votação teve claro contraste visual, e foi decidida por ampla maioria (quase unanimidade, alguns votos contra e poucas abstenções).

Após dois meses de greve com envio de cartas, entrega de pauta de reivindicação na Reitoria e reunião com reitor para solicitar audiência pública/reunião de negociação, não obtivemos uma resposta concreta à pauta de reivindicações que tem 24 pontos, dos quais foram mencionados apenas três no comunicado recente da Diretoria Acadêmica– sendo que o quarto item, aluguel do galpão já estava previsto antes da greve dos estudantes.

O texto divulga que “Foi concluída a tramitação junto à Prefeitura, dos processos para licitação da construção do prédio central da EFLCH. A publicação será feita nos próximos 15 dias.”, mas qual a garantia que temos desse processo, se isso tem sido dito há mais de cinco anos? O comunicado diz também que “Está em fase de conclusão a avaliação oficial do imóvel da Stiephel a ser locado pela UNIFESP para utilização durante o período de construção do prédio central.”, o que ouvimos há várias semanas, e até agora não temos nada acertado.
O documento diz ainda que “Em 16/05/2012, fomos recebidos em audiência pelo Governador do Estado, com a presença do Secretário Estadual de Transportes Metropolitanos e do Presidente da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos). Nessa ocasião, levamos a necessidade de implantar o sistema de transporte intermunicipal (Campus Pimentas – Metrô). O projeto que resultou do diálogo EMTU-UNIFESP contempla a necessidade de 80 viagens/dia para cumprir esta demanda. Já está encaminhado o convênio UNIFESP – Governo do Estado necessário à concretização deste projeto.”, como confiar em uma proposta que apresentada em 2010, porém em DOIS anos não foi efetivada? Por fim, foi colocado um quarto ponto “o aluguel dos galpões em frente ao campus” que já estava previsto antes do início da paralisação discente e que, portanto, nem está presente na nossa pauta de reivindicações. O que existe, na realidade, em nossa pauta, é a compra do terreno em que os galpões estão localizados.

Além disso, outros temas como moradia estudantil, creche, reforma do bandejão, fim dos processos contra os 48 estudantes processados, paridade etc. sequer foram mencionados, o que deixa mais nítido a lentidão ou negligência por parte da instituição UNIFESP. Para confirmar o descompromisso com a situação do nosso campus e aos demais, a Reitoria da UNIFESP se negou a comparecer à Audiência Pública proposta pelo movimento estudantil, no dia 21 de maio, alegando que os problemas da instituição deveriam ser resolvidos internamente, respeitando à autonomia universitária. No entanto, isso se torna contraditório quando o Reitor se nega a vir ao campus para negociar com o movimento estudantil, dialogando em forma de comunicados ou pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Questionamos também que autonomia universitária é essa, que ignora todos os processos decorrentes em nível nacional, legitimando um modo de gestão intransigente ou até mesmo chamando a PM para o Campus. No mesmo sentido, o Ministério da Educação, co-responsável de todo o processo que a comunidade acadêmica vive hoje, que diz respeito à expansão de vagas sem devido investimento público para que acontecesse a ampliação do acesso e permanência, sem o qual tem causado evasão de estudantes e inchaço dos espaços disponíveis no campus, também se mostra omisso ao não enviar nenhum representante e nem sequer responder o convite.

Diante de um contexto local de ameaças de sindicâncias e processos criminais contra o movimento estudantil, não atendimento da pauta de reivindicação e frente à luta nacional promovida por discentes e docentes pela educação, o movimento estudantil, decidiu ocupar a Diretoria Acadêmica e o restante do campus, com o intuito de pressionar a Reitoria e o governo federal pelo atendimento da pauta de reivindicação, e alertá-los para a catástrofe educacional criada pelos mesmos.

No mais, gostaríamos de saudar a assembleia docente do dia de hoje, convidá-los a participar da mobilização dos estudantes na ocupação da Diretoria Acadêmica e desejá-los bons trabalhos.

Atenciosamente,

Comando de Greve do Movimento Estudantil da EFLCH-Unifesp.

Apoio Militante do PCB à nova ocupação da Diretoria Acadêmica da Unifesp Guarulhos

O PCB apoia de forma militante a nova ocupação da diretoria acadêmica do campus Guarulhos da Unifesp. Participamos da construção democrática dessa ocupação, aprovada em Assembleia Geral dos estudantes de Guarulhos. Faremos aqui uma análise de conjuntura que contextualize essa ação.
Esta ação é parte da onda de greves e mobilizações das universidades federais que se espalha por todo Brasil. A mobilização se torna nacional quando a greve convocada pelo ANDES-SN foi deflagrada em mais de 70% das federais do Brasil, quando acontecem também greves estudantis, de servidores e ocupações de reitoria – ocupações até mesmo propostas pelos docentes, como em Ouro Preto.
Fica clara a crise institucional que a educação passa em nível Federal, ocasionada pelo fracasso do REUNI. Os estudantes da Unifesp estão em greve desde o dia 22 de março, apontando para as contradições mercadológicas privatizantes e precarizantes que a expansão sem qualidade vem causando. Tais contradições chegam a um nível tão problemático e inconciliável que as categorias lesadas tomam consciência e embarcam na luta em todo país, o que dá força e renova o movimento grevista em Guarulhos.
A direita discente foi derrotada veementemente com essa articulação conjuntural importantíssima, e já não representa entrave real para o avanço da luta dos estudantes. Mas, apesar de uma conjuntura bastante favorável ao avanço da greve, os professores de Guarulhos cumprem um vergonhoso papel de freio à luta pela educação, seja na postura feudalizada de punição, perseguição e moralização do debate, seja nas tentativas de furar a greve estudantil com ameaças e terrorismo hierárquico, ou até mesmo tentando furar a greve da própria categoria deles – o que é ainda mais feio e submisso.
Cabe ao movimento pressionar e identificar os estratos mais progressistas dessa categoria e trabalhar para articular a adesão dos docentes de Guarulhos na greve nacional da categoria, só assim é possível a unidade entre as categorias contra a política precarizante e repressora da reitoria e da diretoria acadêmica.
No que se refere à unidade do movimento nacionalmente, cabe aprovar a participação do Movimento em Guarulhos na marcha pela educação em Brasília, convocada pelo ANDES-SN, cabe tomar a pauta dos docentes como bandeira do movimento, cabe articular ações com outras universidades no sentido de construir atos e ações conjuntas.
No que tange à construção da greve da categoria estudantil da Unifesp, surgem algumas tarefas táticas que devem ser cumpridas para a elevação do patamar da luta, principalmente num momento em que a greve está muito forte e a diretoria acadêmica foi ocupada, e são essas:
1 – Construir uma Assembleia Geral Intercampi;
2 – Aprovar Greve Geral estudantil;
3 – Aprovar a ocupação da reitoria da Unifesp.
Essas tarefas devem estar pautadas nas reivindicações aprovadas, na queda do diretor acadêmico de Guarulhos, na reformulação dos órgãos de representação da universidade – CONSU, Congregação e Conselhos Gerais – trazendo uma composição paritária e democrática.
É importante lembrar que o PCB defende a rearticulação do movimento estudantil pela base, construindo o DCE de conselhos como forma de desaparelhar a estrutura do ME e tornar mais ampla e fácil a articulação intercampi, e inclusive as lutas.
A universidade mercadoria deve ser contrariada pelo projeto da Universidade Popular, através da crítica e da construção de alternativas ao projeto mercadológico burguês de ensino, pesquisa e extensão. Só nas lutas, greves, ocupações, manifestações é que avançaremos, não só num projeto popular de educação, mas num projeto de poder popular para a sociedade e para a produção e reprodução da vida humana.
PELA UNIVERSIDADE POPULAR!
PELO DCE DE CONSELHOS!
TODA FORÇA À GREVE!
TODA FORÇA À OCUPAÇÃO!
CONSTRUIR A GREVE GERAL DA EDUCAÇÃO!

A Mentira está Armada

Unifesp campus Guarulhos: a volta da repressão, vergonha nacional.

 O filósofo americano Noam Chomsky fala, em uma de suas obras (“visões alternativas”) nas estratégias que o sistema (as elites sociais, políticas, econômicas e até religiosas) utiliza para manipular o pensamento das pessoas e assim conformar a opinião geral às suas ideologias.

 1. A estratégia da distração – O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites sociais, políticas e econômicas. é o que Chomsky chama de “armas silenciosas para guerras tranquilas”.

Fotos: reitor com presidenta Dilma; reitor e diretor acadêmico com governador Alckmin.

Estrutura: aluguel do galpão; compra de terreno e construção do prédio e moradia.

Apoio externo: acerto interno no PT de criar a universidade federal do Alto do Tietê e não sair de Guarulhos, resolvendo a disputa com o PSDB (USP) em são paulo..

Factóides: diversos fatos foram plantados com a clara intenção de transparecer violência, desde docentes provocadores que se transformam em vítimas, até situações de jogar estudante contra estudante.

Pauta: Unifesp vai apresentar que a pauta como atendida, portanto, jogam pesado pelo fim de greve – no entanto a principal bandeira de luta (anistia e paridade nas instâncias representativas da Unifesp) esta sendo colocada em segundo plano, uma vez que vai atingir uma pequena minoria de estudantes que estiveram à frente da luta, sendo acusados de “radicais” e com evidente criminalização. Continue lendo

Porque devemos rejeitar a manobra da reitoria e dos antigreve

Os estudantes da Unifesp estão há mais de sessenta dias em greve. O cenário político em que esta greve se desenvolve, no entanto, mudou radicalmente nos últimos dias. Os professores universitários decidiram, em escala nacional, por uma greve pelo atendimento de suas reivindicações e por melhores condições de ensino para as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Esta greve tem mais de 70% de adesão (principalmente por parte dos professores) e, diante disso,  propostas como aqueles que sugerem o fim do nosso movimento é, queiram os autores da proposta ou não, a tentativa de enfraquecer uma luta nacional em defesa da educação  que tem se fortalecido a cada dia que passa.

O fato de neste momento mais de quatro dezenas de universidades estejam se mobilizando em defesa da educação pública mostra, entre outras coisas, que a decisão dos estudantes de Guarulhos de lutarem e manterem a greve até agora foi um grande acerto. Mostra, inclusive, que não estamos isolados. Os problemas que enfrentamos são os mesmos de dezenas de milhares de estudantes, professores e funcionários e a nossa vontade de lutar, expressa sobretudo na greve, também é a mesma daqueles que agora estão realizando um dos maiores movimentos de luta dos últimos anos nas universidades federais.       Há semanas o número de federais em greve vem aumentando e conjuntamente com a paralisação das atividades acadêmicas estão também as ocupações, em especial ocupações de reitorias.

No quadro específico da Unifesp, temos de todos os seis campi paralisados e apenas o de Guarulhos sem participação dos docentes neste movimento de luta. Em nosso campus quem tem garantido a paralisação das aulas são os estudantes. E os poucos professores da EFLCH que já tem percebido a importância dessa greve estão recebendo pressão de seus próprios “colegas”. Ou seja, em Guarulhos temos a seguinte contradição: no mesmo campus estão reunidos o setor mais combativo do movimento estudantil e a ala mais conservadora dos professores. Esta contradição precisa ser debatida por todos os interessados nas questões políticas da EFLCH e, principalmente, por quem quer que a greve se desenvolva para que possamos conquistar nossas reivindicações.

Como se não bastasse o fato da minoria dos professores de Guarulhos favoráveis a greve terem de convencer os doutores da Humanas quanto à paralisação nacional, há uma parcela de estudantes que, de maneira consciente ou não, querem isolar ainda mais esse pequeno grupo de docentes quando vão à assembleia com o único objetivo de acabar com a greve.

Os docentes não podem furar a greve estudantil e vice-versa     

A associação entre alunos e professores para a realização de aulas é, ou pelo menos deveria ser, um acordo livre onde uma parte respeita a outra. Por isso, durante a greve dos estudantes o movimento diversas vezes insistiu no fato que os professores que tentavam furar greve cometiam um ato autoritário. Se os alunos, por meio de uma decisão soberana de sua assembleia, decidiram paralisar as aulas, o contrato entre as duas partes (docentes e discentes) para que as aulas sejam ministradas foi rompido. E, como em qualquer associação livre deste tipo, a ruptura de uma das partes já é suficiente para o fim do contrato. Ou seja, os docentes não podem obrigar os alunos a irem para as aulas se estes, em um ato político, decidiram paralisar as aulas. Muito menos podem obrigá-los por meio de coerção com chantagens como, por exemplo, punições ou retaliações acadêmicas com aplicação de faltas e reprovação na disciplina. A greve estudantil significa que os estudantes decidiram por uma ausência de aulas, e não por uma ausência às aulas como alguns professores e a reitoria, de forma maliciosa, tentaram insinuar.

Dessa forma, criticamos os professores que tentaram furar a greve e classificamos seus atos como a tentativa de cassar um direito democrático, o direito dos alunos entrarem em greve. Os alunos precisam ter suas decisões respeitadas, sobretudo suas decisões políticas.

O mesmo critério vale para os alunos em relação aos professores. Se os professores decidem pela greve os alunos não podem, sob qualquer pretexto, querer forçar os professores a darem aula. Neste sentido, a continuidade da greve estudantil deve acontecer, entre outras coisas, para que os alunos não desrespeitem a greve nacional dos docentes universitários.

Por isso, qualquer votação contrária à continuidade da greve estudantil, ou seja, pelo retorno às aulas, é, neste momento, um ato antidemocrático porque os alunos estariam furando a greve docente e, pior ainda, um movimento nacional em defesa da educação.

Qualquer pessoa que defenda os direitos democráticos, em atos e não meramente em palavras, só pode conceber o retorno às aulas quando docentes e discentes, por meio de suas decisões políticas, se manifestarem pelo fim de ambos os movimentos de greve. E, mais do que isso, qualquer pessoa que defenda a educação pública, também em atos e não meramente em palavras, só pode conceber o retorno as aulas quando este movimento nacional que surgiu conseguir ser vitorioso e conquistar uma melhor qualidade de ensino para todos.

Fortalecer um movimento nacional em defesa da universidade pública

Além disso, é importante ter claro que uma vez que mais de setenta por cento das universidades federais estão paralisadas, a greve geral já é uma realidade. Àqueles, sejam professores ou estudantes, que se oponham a este movimento não estão furando qualquer greve, mas a greve nacional: é ir contra uma luta que diz respeito não apenas a professores e estudantes, mas que defende questões importantes para todo o País e sua população

Imaginem a cena: um único campus em uma universidade de seis campi com greve estudantil, caminhando para setenta dias de mobilização, encerra a greve dos estudantes sem negociação. No segundo ato da cena, depois de uma votação incoerente, ilegítima e covarde (em relação a abandonar o movimento nacional) todos vão acompanhar pela internet a quantidade de federais beirando os 100% e o número de reitorias ocupadas triplicando.

Uma cena que não cabe à política, somente a um filme de ficção, com um “roteiro-Frankenstein”, pois começo, meio e fim não se encaixam.

Por fim, a assembleia do dia 24 de maio de 2012 da Unifesp Guarulhos tem uma responsabilidade nacional em relação à greve. Os estudantes de Guarulhos deram o ponta-pé inicial na Unifesp e nacionalmente a esta luta. Por que razão devemos abandoná-la agora que ela está se espalhando para todo o Brasil e atinge seu momento de maior intensidade?

Nossa única possibilidade é continuar avançando com a greve!
(A.L.M. e L.N.C. – estudantes da Frente 05 de Maio) 

MOÇÃO DE REPÚDIO À ATLÉTICA

No dia 10 de maio de 2012, durante assembleia dos estudantes do campus Guarulhos da Unifesp, um membro da Atlética agrediu verbalmente uma estudante do movimento estudantil (M.E.).

Como se não bastasse o ocorrido, esse integrante registrou queixa na Polícia contra as estudantes que se indignaram em forma de um massivo e espontâneo protesto contra a agressão machista. Mais de uma semana após o fato a Atlética ainda não se manifestou a respeito.

Importante lembrar que a Atlética é patrocinada pela cerveja Devassa, que tem uma publicidade altamente machista. Foi com essa publicidade que a Atlética “recepcionou” os calouros esse ano. O que gerou protestos, entre outros em forma de cartazes; quanto a isso a Atlética igualmente não se pronunciou.

Desde o dia 22 de março do mesmo ano os alunos desse campus estão em greve por melhores condições de estudo.            Não é a primeira vez durante a atual greve que as mulheres do movimento estudantil são vítimas de ataques machistas. Na sexta-feira do dia 27 de abril de 2012, quando estudantes tentavam garantir a greve, evitando que houvesse aulas, um tumulto envolvendo professores e alunos contra a greve resultou em uma estudante grevista sendo agredida fisicamente por um aluno antigreve.

O movimento estudantil da Unifesp Guarulhos se originou com o grande número de alunas dirigindo e militando assiduamente nesse movimento. E com o movimento ainda novo a reitoria e seus braços cooptou um grupo para formar a Atlética, com o claro objetivo de esvaziar o M.E.

Já no princípio o movimento se mostrou ser bastante combativo. E esse nascente movimento a cada forte avanço que conquistava, seus componentes, na sua maioria mulheres, recebia frequente repressão.

Assim, do mesmo modo quando uma mulher sofre machismo todas as mulheres também o sofrem, quando qualquer estudante que constitui o movimento estudantil é alvo de qualquer forma de repressão também todo o movimento estudantil é atingido.

Dessa forma, o Movimento Estudantil repudia a Atlética e seus representantes por reprimirem estudantes que se mobilizam, por agredirem as mulheres e por consentirem em seus ataques. Além disso, as mulheres, em especial, devem se auto-organizar e se fortalecer para acabar com o machismo e construir um mundo sem opressão!

FORA ATLÉTICA! FASCISTAS, MACHISTAS NÃO PASSARÃO!  EI, SE LIGA SEU MACHISTA, PORQUE A AMÉRICA LATINA VAI SER TODA FEMINISTA!

Movimento Estudantil da Unifesp Guarulhos, 18 de maio de 2012.

Reocupar a diretoria acadêmica

Depois de mais de sessenta dias de greve, a reitoria da Unifesp tem se mostrado intransigente com o movimento estudantil. Nega-se a abrir negociações e atender as pautas de reivindicações que, entre outras coisas, contêm a construção de um prédio e melhorias nas condições de ensino e permanência. A reitoria, inclusive, se negou até mesmo a comparecer em uma mera audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em primeiro lugar, esta atitude mostra que os dirigentes da universidade estão em total oposição à maioria da comunidade universitária que há anos aponta que as condições atuais da EFLCH são insuficientes e, que a política levada adiante pelas seguidas gestões, estão inviabilizando a continuidade das atividades acadêmicas.

Em segundo lugar, esta intransigência da reitoria precisa ser debatida pelo movimento estudantil que deve, no marco desta luta que vem sendo travada, superar esse quadro, ou seja, impor uma derrota à reitoria e fazer com que seus direitos sejam atendidos.

Porque ocupar

Nesta greve, já tivemos a experiência de uma ocupação e ela deixou várias lições. Mostrou que a ocupação é um método muito mais contundente de pressionar a reitoria, que entrou em um verdadeiro estado de pânico com a atitude dos estudantes e tentou de todas as formas retirar as pessoas da diretoria acadêmica.

Isto ocorre por diversos motivos.

Um deles é o fato de que a greve estudantil, embora já seja um ato político importante conduz, inevitavelmente, os estudantes a certa dispersão. Os estudantes pelo “simples” fato de estarem parados não geram nenhum prejuízo material para a universidade. Diferente de uma greve operária em uma fábrica onde a paralisação da produção se traduz em perdas financeiras.

Por isso, em uma greve de estudantes um dos aspectos fundamentais são as manifestações que ou questionam o regime de poder ou dão visibilidade para o movimento como, por exemplo, atos de rua.

A ocupação por sua vez, também significa que parte da própria administração da universidade passa temporariamente para a mão dos estudantes, o setor mais progressista da comunidade acadêmica. Desta forma, a ocupação é, ao mesmo tempo, uma forma de pressão sobre a burocracia universitária e, no caso da greve da Unifesp, o início de um debate sobre as verdadeiras raízes dos problemas como a falta de políticas de permanência, infraestrutura precária, normas ditatoriais contra a atividade política dos estudantes etc.

Por outro lado, a ocupação também ajudaria a romper o cerco montado pela grande imprensa que não noticia nosso movimento para poupar a prefeitura de Guarulhos, dirigida pelo PT, às vésperas das eleições municipais.

Ocupar quando?

A ocupação é, antes de tudo, uma necessidade do movimento. Não se trata de um mero desejo de um grupo de pessoas. A ocupação seria uma grande resposta contra a reitoria que, cada vez mais, vem buscando minar o movimento e, inclusive, claramente buscando influenciar até mesmo estudantes. Na última assembleia, por exemplo, a diretoria acadêmica de Guarulhos, montou toda uma operação para acabar com a greve. A operação incluiu, entre outras coisas, carta endereçada à casa dos estudantes, disponibilização de ônibus até mais tarde para garantir a presença dos antigreve (curioso é que não notamos a mesma disposição de superar os problemas de acesso em época de aula!), pressão dos professores, entre outras coisas.

Neste sentido, pedir calma e postergar de forma ininterrupta a ocupação da diretoria acadêmica é dar força para a reitoria que, livre da pressão da ocupação da diretoria, pode articular mais facilmente o fim da greve com os professores e alunos que concordam com ela.

Por isso, é preciso reocupar a diretoria o mais rápido possível, na primeira oportunidade em que isto for possível. A ocupação não é uma maneira de garantir a greve e impulsionar o movimento. Trata-se do caminho natural de um movimento que, desde o seu primeiro dia, vem superando diversos obstáculos e ameaças e, em mais de dois meses, derrotou seus inimigos um a um.

A.L.M., estudante da Frente Cinco de Maio

Carta-Manifesto do Movimento Estudantil da EFLCH-UNIFESP

(Lida na abertura da Audiência Pública da ALESP)

São Paulo, 21 de maio de 2012

Caros amigos, parlamentares, e aos que compõem a mesa: uma boa noite. Poderíamos estar felizes esorridentes em nossas fictícias salas de aula, em nosso fictício prédio, em nossa fictícia infra-estrutura para uma educação com o mínimo de qualidade. Mas não, estamos em uma audiência pública, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, estudantes da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, Campus Guarulhos. Todos aflitos, amargurados, angustiados, importunados e perseguidos, denunciando o fictício, expondo o inexistente e revoltados pela tamanha negligência administrativa que fraudou e espoliou nosso direito constitucional de acesso a uma educação pública e de qualidade.

Tudo se inicia com a fundação do campus, em 2007, onde estudantes recém ingressantes se deparamcom uma universidade sem biblioteca, restaurante universitário, sem moradia e nenhum plano deassistência estudantil, dispondo apenas de um pequeno prédio, uma lanchonete e uma xerox terceirizada em um galpão abandonado. O campus da Baixada Santista, que havia sido inaugurado no ano anterior, estavaem situação parecida, totalmente sem estrutura para receber os jovens ingressantes. Quando não se esperava que pudesse ficar pior, a UNIFESP adere ao plano de expansão do REUNI, em 2007, provocando a entrada massiva de vários estudantes nos campi já instalados e a expansão de outros campi da universidade, tais como os de Diadema e São José dos Campos em 2008, e o de Osasco, em 2011. O resultado desse processo de adesão da UNIFESP ao REUNI, projeto do governo federal que prevê “ampliar o acesso e a permanência na educação superior”, se transforma na prática em um projeto de expansão que prioriza números e não garante nenhuma forma de permanência dos estudantes nestes novos espaços, muito menos a qualidade do ensino, pesquisa e extensão oferecida, haja vista a deficiência de estrutura e de condições mínimas de desenvolvimento das atividades universitárias.

No nosso campus, a adesão da UNIFESP ao REUNI foi recebida com grande desgosto pelos estudantes, que denunciavam o aprofundamento da precarização que o campus sofreria, além de destacarem a ausência de debate público em torno da adesão ou não ao projeto. Uma grande mobilização foi iniciada, fazendo com que os estudantes entrassem em greve e ocupassem as dependências do campus. Ao final do processo, nenhum ganho foi obtido e o campus seguiu com a implantação do projeto de expansão do REUNI, provocando a superlotação de salas e a insatisfação dos estudantes. Continue lendo

Caro Alfa

É difícil não ficar indignado diante de escritos que denotam traços de uma fina ausência de consciência política. Quem é você, misterioso Alfa? Militar, policial ou qualquer coisa desse tipo? Talvez uma pessoa comum, um filho de trabalhadores que prosperaram, e agora sofrem de desvio pequeno burguês? Ah, mas eu já ia me esquecendo; deverá ser mais um cristão do tipo que vai a igreja com o propósito claro de esconder a própria podridão ou mesmo aquele tipo de cristão que segue a igreja pelo simples fato de estar acostumado a não ter perspectiva de nada; sofre com o sentimento de rebanho; é escravo da própria falta de atitude; se esconde atrás da moral do fraco, do sofredor e do perseguido.

Filosofando sobre seu pobre texto, quase morremos de rir. A vida é filosofia, pena que a sua é da pior qualidade; o fato de você quase nos matar com seu humor ignorante, nos levou a querer processá-lo, mas quem iríamos processar? Você é apenas um bit dentro de um computador, você não tem rosto e muito menos vida. Chegamos a te dar o diagnóstico de complexo de Narciso ao contrário; você tem vergonha de aparecer, não sei por que, mas no seu mentiroso texto, você escreve que é colega de todos.

Achamos que você tem de voltar para o psicólogo ou trocar de especialidade; procure um psiquiatra, se você quiser, conhecemos alguns bons (cheios de amostras grátis). Por enquanto te mando um aforismo do Nietzsche, acho que ele foi feito para você. ”Quem apenas lê pode ser um bom orador, quem vive é pensador”, venha viver conosco, mas antes aprenda a pensar…

Apareça Alfa! Que o poder de sua mente seja a sua fortaleza, ó fraco…

“Fruto do mundo, somos os homens.
Pequenos girassóis os que mostram a cara
E enorme as montanhas que não dizem nada.”
Raul Seixas.

Quem é você Alpha?

Atenciosamente, sem mais para o momento,
Nós somos;
Cleo, Márcio, Reginaldo – História, Filosofia e Filosofia, respectivamente…

Carta de mãe de estudante da UNIFESP Guarulhos

Não sou ativista política, não faço parte de nenhum movimento estudantil, não sou candidata a nada, não tenho partido, não sou rica, não sou famosa. Sou simplesmente uma cidadã brasileira, que trabalha pelo sustento de sua família, que paga seus impostos e que quer como tantas outras mães de família ver este lugar tornar-se mais justo e mais humano para todos, e para isso, só pode contar com o surgimento de seres conscientes, que tenham clareza de pensamento, que lutem pela justiça, que sejam capazes de assumir posições avessas ao servilismo partidário, à corrupção cada vez mais escandalosa e aos interesses escusos de uma minoria amparada pela exploração da maioria, pelo poder e pelo dinheiro. Tenho uma família bem estruturada e quatro filhos, foram bem criados e bem formados com muita luta e sacrifício. Sempre desejei para eles um futuro melhor, e orientei-os para que não se acomodassem, que se tornassem construtores desse futuro, trabalhando com aqueles que ainda são excluídos por uma sociedade injusta e desigual. Felizmente eles conseguiram estudar nas melhores universidades deste País , inclusive na Unifesp e é por isso que como mãe de aluno da Unifesp Guarulhos, e cidadã brasileira quero ser ouvida, tenho o direito de ser ouvida pelos responsáveis pela Unifesp, pelo Ministério da Educação, pelo Ministério Público, pela Sra. Presidente Dilma Roussef e por todos que têm alguma esperança no Brasil e ainda acreditam em Democracia. Das Universidades é que saem os pensadores deste País, em especial daquelas que ensinam Ciências Humanas. É lá, que suponho eu, os jovens aprenderão a questionar, a desenvolver seu pensamento, a argumentar e formar opiniões, a discernir caminhos, a avaliar com olhar crítico a sociedade em que vivem para a partir daí, assumir responsabilidades com seu semelhantes, com o futuro e, principalmente, com o agora. É nas Universidades, que nossos jovens aprendem a assumir a sua cidadania e exercitar seu direito de reivindicar melhores condições de vida para si e para os que virão depois. É nas Universidades que se produz ciência, tecnologia, pesquisa, extensão. O futuro de todos nós também depende muito das cabeças que entram, estão e sairão das Universidades. E de repente me vejo diante de uma Universidade, onde o questionamento, a reivindicação, o direito a palavra, e a greve, é hostilizado, é criminalizado. Onde jovens são vistos como bandidos e arruaceiros porque reivindicam moradia, salas de aula e transporte e melhores condições de Educação, através de uma greve; onde outros jovens são instigados a usar a Internet para ofender, desmoralizar e caluniar seus colegas porque pensam diferente; onde a tropa de choque os espera numa passeata pacífica para entregar uma carta ao seu reitor (Se a Universidade tem tanto medo deles que precisa da tropa de choque é porque nunca procurou uma aproximação através do diálogo, de ouvir seus alunos e levar em conta o que eles têm a dizer). Eu penso que o reitor de uma Universidade deveria ser o reitor de todos, e o primeiro a perceber as necessidades de seus alunos em cada Campus da Universidade, com suas características e peculiaridades, e se orgulhar de poder formar pessoas que farão diferença no mundo. As faculdades da área de humanas tendem a reunir pessoas mais questionadoras, pensadoras, críticas que qualquer outra, talvez por isso seja difícil compreendê-las. É certo que é mais fácil lidar com gente alienada, que não se envolve com os problemas do meio em que vive, que nunca se julga responsável por nada, que comodamente prefere que nada mude, para não ter que se mexer e tomar posições. É fácil calar a boca dos jovens com cassetetes, com perseguição na vida escolar, com insinuações mal intencionadas, com ofensas pessoais… Mas é certo também, que como educador é muito mais gratificante ensinar e aprender com esses jovens que estão verdadeiramente vivos, esbanjando capacidade e energia e sequiosos por melhorar as coisas. Talvez, ouvi-los tornaria a Universidade além de um laboratório descobridor de talentos, um lugar impulsionador de socialização e soluções para este País. Talvez ouvi-los traria luz sobre tantos brasileiros esquecidos. Talvez ouvi-los faria a Educação no Brasil, ressuscitar. Quando a Universidade se fecha ao diálogo com eles, criminalizando-os , repito, massacrando seus ideais, sufocando-os pelo medo, como quando fechou os portões deixando-os trancados dentro do Campus, quando os professores se vitimizam para culpabilizar os estudantes em greve e chegam até a agressão, quando a polícia tranca nossos filhos dentro das salas e quebra tudo pra dizer que foram eles, quando a polícia bate, quando a tropa de choque aterroriza, quando mães defendem seus filhos sem dizer o nome deles porque temem que sofram represálias,quando a Universidade se vale desses expedientes para lidar com uma greve de estudantes, mesmo que essa greve tenha, por falta de resposta, radicalizando e extrapolando para uma ocupação de diretoria ou reitoria, tenho a nítida lembrança de tempos não tão antigos, de tempos de silêncio, de tempos de Ditadura… A luta pelo poder ainda hoje revive de maneira velada esses tempos terríveis…

É por isso que quero ser ouvida pelo MEC, e pela Sra. Presidente Dilma Roussef, que conheceu bem esse período obscuro da nossa História, e que apoiou a instauração da Comissão da Verdade, para que dêem atenção ao que está se passando na UNIFESP. Que esses estudantes sejam ouvidos como cidadãos deste país, que não se ouça apenas “autoridades”e não se veja a escola como um jogo de interesses ou uma simples questão econômica e política e a greve como uma questão policial. Que uma greve de estudantes seja uma porta aberta para o processo educacional e conduzida como projeto transformador da sociedade, oportunidade única de uma riquíssima troca de idéias e partilha de ideais. Mas para isso se faz necessário que a Universidade abra mão de interesses pessoais, privados e revanchismos e dedique profundo esforço, interesse, experiência, e paciência para ser inovadora e transformadora , porque acreditar na Educação, na Paz e nos Jovens exige muito mais que algumas horas aula, exige trabalho árduo e verdadeira compreensão do ser humano. Talvez o que eu esteja dizendo não seja prático, fácil ou imediatista, mas é possível, se encontrar eco no coração e na mente de pessoas realmente comprometidas com a Educação e a Vida, através do combate à alienação e defesa da teoria-prática. A Universidade reconhece seu papel transformador da sociedade? Precisamos de cidadãos pensantes, que respeitem e sejam respeitados, que saibam falar e ouvir, que vejam os impostos pagos serem revertidos em benefícios para a população. Se a Universidade calar seus jovens agora, quem irá falar por ela no futuro? Se a Universidade expulsar e criminalizar seus jovens agora, porque eles lutam e se posicionam, mesmo que contra os interesses dela, quem vai pagar o preço de um país sem expressão no futuro? Se a Universidade não dialogar com seus jovens hoje, quem irá ouvir nosso povo e falar por ele no futuro? Sr. Reitor, Srs. Professores, autoridades, quando há uma crise familiar, quem tem a obrigação de buscar soluções são os pais e é através do diálogo, compreensão e empatia que isso se dá, pois espera-se que experiência e vivência, eles tenham mais que seus filhos. Na situação dos senhores, dá-se o mesmo. Sua escolha profissional como educadores, sua experiência de vida os faz responsáveis pelo bem de seus alunos, mesmo que pensem diferentemente dos senhores. Hostilidade, indiferença, violência, disputa e opressão não fazem parte do currículo de um bom educador. Esse País , esse povo luta e anseia por novas possibilidades para sua vida. Quem está formando essas pessoas são os senhores. Não as matem no nascedouro, com elas iriam enterrar nossas esperanças.

Maria

Mulher do povo, Mãe de brasileiros