A ocupação acabou: quem está comemorando?
o movimento entrou pelos fundos e saiu pela porta da frente, e desocupando sem saber que estávamos sendo desocupados
A Reitoria, que recebeu o movimento semanas atrás com a tropa de choque, e que não atendeu a nossa pauta de reivindicações, tem aplicado uma série de ataques aos estudantes em greve, desde o dia 22 de março, tem realizado uma tática orquestrada de terror como forma de intimidar os estudantes que, em greve, ocuparam a diretoria acadêmica do campus Guarulhos na noite do dia 02 de maio, depois de 42 dias de greve. Essa tática foi se intensificando desde o início da ocupação: através dos membros do PRAE, que tem uma forma habilidosa de realizar a política da reitoria, sob um véu de “estar ao lado dos estudantes”, quando na prática, esse setor da burocracia universitária deu um ultimato para tentar desocupar, tentando pressionar o movimento, visando evitar agravar a crise política na Universidade, e não precisar colocar a Tropa de Choque dentro do campus.
Na 5af (03/05), houve o estopim dos ataques aos estudantes: na reunião da comissão de diálogo do Comando de Greve com a PRAE, a posição da reitoria era de não negociar com o movimento enquanto estivesse em greve (sic!) e as punições ao movimento grevista foi deliberado na Congregação do campus Guarulhos, aprovando abertura de sindicância sob alegação de violência, insulto, desacato e obstrução ao exercício da função. Assim, em Plenária Aberta do Comando de Greve, os estudantes responderam aos sucessivos ataques à luta pelas reivindicações, ocupando a diretoria acadêmica do campus, em uma votação que passou por contraste.
Um impulso acertado do movimento foi dado. Tanto que poucas horas de ocupação fez com que a Reitoria acenasse, mesmo que timidamente, um recuo, aceitando negociar com o movimento, ainda que não aceitasse vir até o campus, sem falar que o movimento teve visibilidade até na imprensa burguesa. A ocupação, como continuidade da greve, foi um passo acertado e consequente com a luta pelas reivindicações, e pela pressão para o atendimento das pautas.
Os estudantes que chegaram ao campus na 6af, dia 04 de maio, que viram com seus próprios olhos a ocupação da Diretoria, se manifestavam, em sua maioria, favoráveis à ação, inclusive com falas no Comando de Greve, de estudantes que iriam levar a defesa da ocupação para maiores horizontes. Isto é, a ocupação foi ganhando cada vez mais adeptos. Além disso, cabe ressaltar, que nessa Plenária do Comando, foi consenso continuar com a ocupação.
Uma prova concreta da força do movimento é que a questão da continuidade da ocupação foi debatida de forma permanente, nas 44 horas em que os estudantes permaneceram ocupados na Diretoria. Esse debate surgiu em 8 momentos, e em todos eles, a questão da continuidade da ocupação ganhou: ou por consenso, ou por ampla maioria, ressaltando a força unitária da luta da greve com ocupação. Em reunião aberta no pátio após as pressões da PRAE na 6af pela tarde, os estudantes, em sua maioria, apoiaram a ocupação e sua continuidade; nos debates dentro da ocupação, a posição majoritária era pela continuidade; no sábado, antes e pós entrega do mandado de citação e intimação, anunciando a reintegração de posse, a plenária posicionou-se pela permanência na ocupação até a reintegração, ora de forma unanime, ora por maioria dos votos. Ou seja, em 8 momentos onde se discutiu a questão de desocupar, em nenhum momento essa proposta foi aprovada.
Um setor levou adiante a traição: a Reitoria não precisou da Tropa de Choque, setores do movimento fizeram esse serviço
Contudo, mesmo após a insistência de colocarem a questão de desocupar a Diretoria, e perder em todas as votações, um setor rompeu com a unidade, fazendo de tudo para desocupar. Esse setor, que se utilizava de “informes terroristas”, e tentavam ganhar no grito, foram os agentes responsáveis pelo acordo com membros da Reitoria e da Polícia Militar, que estavam no portão da Universidade, do lado de fora. Na 6af, o PSTU já defendia abertamente desocupar a Diretoria em troca da proposta trazida pela PRAE. No sábado, como era esperado, não havia nem sombra deles na ocupação. Contudo, o papel de traição foi continuado pelo PCB e pelo PSOL. Esses dois partidos, que estavam na ocupação, e que perderam na última votação, ignoraram uma construção de unidade, e foram agentes no acordo feito com membros do PRAE de desocupar após fazer o inventário, sem ter a reintegração de posse. Esses partidos dirigiram uma ação em favor da Reitoria: não precisar da tropa de choque para tirar os estudantes. Esses setores que dirigiram essa traição são responsáveis pelo modo como houve a desocupação, muito diferente dos que foram induzidos, pela pressão, a tal atitude.
Isso ressalta que a desocupação foi uma ação que foi contra a própria orientação do Comando de Greve de 6af (04/05) e das discussões da ocupação. Assim, a ação desse setor que deu um golpe na ocupação, fazendo um acordo com a PRAE-Reitoria, foi um ataque frontal, não somente contra as pessoas que defendiam a ocupação no dia da intimação, mas um ataque ao Comando de Greve, que se posicionava pela continuidade da ocupação.
É preciso ter clareza dos fatos, debate-los, e abrir uma crítica aberta sobre o ocorrido, pois o que está em jogo é a condução da luta pelas reivindicações, o combate aos ataques da burocracia universitária e a confiança ideológica e política nos companheiros estudantes envolvidos nessa mobilização. A ocupação acabou: quem está comemorando? Certamente não são os estudantes que lutam pelas pautas de reivindicações. Mas alguns estudantes, ao saírem, entoaram um aviso: VOLTAREMOS!
Assinam essa carta os membros da frente 5 de maio.