Carta da Frente 5 de maio

A ocupação acabou: quem está comemorando?

o movimento entrou pelos fundos e saiu pela porta da frente, e desocupando sem saber que estávamos sendo desocupados

A Reitoria, que recebeu o movimento semanas atrás com a tropa de choque, e que não atendeu a nossa pauta de reivindicações, tem aplicado uma série de ataques aos estudantes em greve, desde o dia 22 de março, tem realizado uma tática orquestrada de terror como forma de intimidar os estudantes que, em greve, ocuparam a diretoria acadêmica do campus Guarulhos na noite do dia 02 de maio, depois de 42 dias de greve. Essa tática foi se intensificando desde o início da ocupação: através dos membros do PRAE, que tem uma forma habilidosa de realizar a política da reitoria, sob um véu de “estar ao lado dos estudantes”, quando na prática, esse setor da burocracia universitária deu um ultimato para tentar desocupar, tentando pressionar o movimento, visando evitar agravar a crise política na Universidade, e não precisar colocar a Tropa de Choque dentro do campus.

Na 5af (03/05), houve o estopim dos ataques aos estudantes: na reunião da comissão de diálogo do Comando de Greve com a PRAE, a posição da reitoria era de não negociar com o movimento enquanto estivesse em greve (sic!) e as punições ao movimento grevista foi deliberado na Congregação do campus Guarulhos, aprovando abertura de sindicância sob alegação de violência, insulto, desacato e obstrução ao exercício da função. Assim, em Plenária Aberta do Comando de Greve, os estudantes responderam aos sucessivos ataques à luta pelas reivindicações, ocupando a diretoria acadêmica do campus, em uma votação que passou por contraste.

Um impulso acertado do movimento foi dado. Tanto que poucas horas de ocupação fez com que a Reitoria acenasse, mesmo que timidamente, um recuo, aceitando negociar com o movimento, ainda que não aceitasse vir até o campus, sem falar que o movimento teve visibilidade até na imprensa burguesa. A ocupação, como continuidade da greve, foi um passo acertado e consequente com a luta pelas reivindicações, e pela pressão para o atendimento das pautas.

Os estudantes que chegaram ao campus na 6af, dia 04 de maio, que viram com seus próprios olhos a ocupação da Diretoria, se manifestavam, em sua maioria, favoráveis à ação, inclusive com falas no Comando de Greve, de estudantes que iriam levar a defesa da ocupação para maiores horizontes. Isto é, a ocupação foi ganhando cada vez mais adeptos. Além disso, cabe ressaltar, que nessa Plenária do Comando, foi consenso continuar com a ocupação.

Uma prova concreta da força do movimento é que a questão da continuidade da ocupação foi debatida de forma permanente, nas 44 horas em que os estudantes permaneceram ocupados na Diretoria. Esse debate surgiu em 8 momentos, e em todos eles, a questão da continuidade da ocupação ganhou: ou por consenso, ou por ampla maioria, ressaltando a força unitária da luta da greve com ocupação. Em reunião aberta no pátio após as pressões da PRAE na 6af pela tarde, os estudantes, em sua maioria, apoiaram a ocupação e sua continuidade; nos debates dentro da ocupação, a posição majoritária era pela continuidade; no sábado, antes e pós entrega do mandado de citação e intimação, anunciando a reintegração de posse, a plenária posicionou-se pela permanência na ocupação até a reintegração, ora de forma unanime, ora por maioria dos votos. Ou seja, em 8 momentos onde se discutiu a questão de desocupar, em nenhum momento essa proposta foi aprovada.

Um setor levou adiante a traição: a Reitoria não precisou da Tropa de Choque, setores do movimento fizeram esse serviço

Contudo, mesmo após a insistência de colocarem a questão de desocupar a Diretoria, e perder em todas as votações, um setor rompeu com a unidade, fazendo de tudo para desocupar. Esse setor, que se utilizava de “informes terroristas”, e tentavam ganhar no grito, foram os agentes responsáveis pelo acordo com membros da Reitoria e da Polícia Militar, que estavam no portão da Universidade, do lado de fora. Na 6af, o PSTU já defendia abertamente desocupar a Diretoria em troca da proposta trazida pela PRAE. No sábado, como era esperado, não havia nem sombra deles na ocupação. Contudo, o papel de traição foi continuado pelo PCB e pelo PSOL. Esses dois partidos, que estavam na ocupação, e que perderam na última votação, ignoraram uma construção de unidade, e foram agentes no acordo feito com membros do PRAE de desocupar após fazer o inventário, sem ter a reintegração de posse. Esses partidos dirigiram uma ação em favor da Reitoria: não precisar da tropa de choque para tirar os estudantes. Esses setores que dirigiram essa traição são responsáveis pelo modo como houve a desocupação, muito diferente dos que foram induzidos, pela pressão, a tal atitude.

Isso ressalta que a desocupação foi uma ação que foi contra a própria orientação do Comando de Greve de 6af (04/05) e das discussões da ocupação. Assim, a ação desse setor que deu um golpe na ocupação, fazendo um acordo com a PRAE-Reitoria, foi um ataque frontal, não somente contra as pessoas que defendiam a ocupação no dia da intimação, mas um ataque ao Comando de Greve, que se posicionava pela continuidade da ocupação.

É preciso ter clareza dos fatos, debate-los, e abrir uma crítica aberta sobre o ocorrido, pois o que está em jogo é a condução da luta pelas reivindicações, o combate aos ataques da burocracia universitária e a confiança ideológica e política nos companheiros estudantes envolvidos nessa mobilização. A ocupação acabou: quem está comemorando? Certamente não são os estudantes que lutam pelas pautas de reivindicações. Mas alguns estudantes, ao saírem, entoaram um aviso: VOLTAREMOS!

Assinam essa carta os membros da frente 5 de maio.

Moção de apoio aos estudantes em ocupação na UNIFESP – Guarulhos

O Campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo, o segundo campus de expansão, sofre com vários problemas de infraestrutura, como falta de salas e laboratórios, espaços precários para realização de ensino, pesquisa e extensão, falta de estrutura de permanência estudantil como moradia e creche. Não por acaso essa situação é análoga ao do Campus Baixada Santista e à de outras universidades federais. O Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI prima pela expansão de vagas sem nenhum cuidado com a qualidade e estrutura para as mesmas.

Frente a estas e várias outras demandas, os estudantes da UNIFESP – Guarulhos entraram em estado de greve como forma de pressionar a Diretoria e a Reitoria a tomarem ações para sanar esta situação.

Contudo, não é de hoje que, após suas manifestações legitimas de denúncias, atos e outras ações, os Movimentos Sociais recebem em resposta atos de criminalização e ou judicialização por parte das autoridades, governo e Estado. No Movimento Estudantil não é diferente. 48 estudantes sofrem processos após a utilização de tapumes apodrecidos em um ato simbólico, sob alegação de “depredação do patrimônio público”.

Dessa forma, o Centro Acadêmico Unificado – Unifesp Baixada Santista torna público o seu repúdio à opção feita pela Direção Acadêmica do Campus Guarulhos e pela Reitoria da UNIFESP em não abrir dialogo com o movimento de greve dos estudantes daquele campus além de abrir processos e montar uma Comissão de Sindicância contra estudantes.

Diante dessa intransigência, não coube ao movimento de greve outra opção senão tomar medidas mais drásticas e ocupar a Diretoria Acadêmica. Entendemos que essa ação é estratégica, tendo grande alcance, absolutamente legítima além de ser um importante instrumento de reivindicação.

Prestamos assim total apoio à ocupação da Diretoria Acadêmica do Campus Guarulhos e nos colocamos em solidariedade às suas ações. Colocamo-nos ainda em estado de atenção contra uma possível repressão ao movimento dos estudantes.

CENTRO ACADÊMICO UNIFICADO UNIFESP – BAIXADA SANTISTA

Moção de apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Apoio militante à ocupação da Diretoria Acadêmica da Unifesp Guarulhos.

No dia 3 de Maio, em plenária do Comando de Greve dos estudantes da Unifesp, foi aprovada a ocupação da Diretoria Acadêmica. Essa ação foi posta em prática devido ao entendimento do movimento de greve de que a Congregação – espécie de parlamento do Campus presidida pelo diretor – ataca o movimento quando exige a abertura de sindicâncias contra os estudantes em luta.

A Congregação passa por cima da Pró reitoria de Assuntos estudantis (PRAE), que no mesmo momento em que a Congregação aprovava a repressão ao movimento, dizia aos estudantes que esses casos não seriam resolvidos por meios policiais, jurídicos ou disciplinares. Fica clara com isso a falácia proferida pela direita do Campus, da defesa da “democracia” e o combate à “violência” ou o “fascismo” atribuído aos lutadores, sejam de que categoria for.

Essa mesma direita é a que defende a saída do Campus da periferia, que defende o fim dos piquetes, que quer abrir sindicâncias, que quer aterrorizar os calouros para desmobilizar o movimento, que fura a greve, que faz provocações e ameaças para desagregar e romper a unidade. São esses setores que devem ser combatidos firmemente.

É nesse ponto tático que o movimento grevista é empurrado para um avanço no seu método e ocupa a Diretoria Acadêmica. Essa ocupação põe a nu o caráter privatizante, mercadorizado, precarizado do REUNI e do projeto burguês de educação no Brasil e no mundo como um todo. Põe a nu pois escancara as contradições que surgem nesse processo, expõe os setores descontentes com esse estado de coisas, e os limites do diálogo institucional – que acontece de cima para baixo, com respostas secas e negativas. Além disso, mostra o endurecimento do governo Dilma, como resposta a crise de superprodução que o Capital passa no mundo todo – e no Brasil não tem porque ser diferente, como se vê no Ascenso de greves operárias, estudantis e do funcionalismo.

Todas as alternativas de diálogo foram usadas, desde a pauta de reivindicações entregue na reitoria por um estudante delegado, a entrega da pauta para o diretor acadêmico, audiência pública com o diretor, entrega da pauta para o reitor em ato – recepcionado pela tropa de choque. No entanto, há sempre a resposta negativa já exposta.

Isso não deixou outras alternativas ao movimento, a não ser uma maior contundência em suas exigências. Que continuam as mesmas, a saber, que haja negociação da pauta de reivindicações com o reitor da Unifesp.

O Partido Comunista Brasileiro apoia o movimento estudantil combativo e suas lutas, entendemos que os métodos usados foram discutidos na base e aprovados democraticamente no comando de greve. Não se trata de uma ação oportunista ou aventureira, mas sim de uma articulação tática surgida no seio do movimento, trazida à prática pela compreensão coletiva de que as vias utilizadas já haviam se esgotado e que a ocupação era necessária para a conquista efetiva da pauta de reivindicações dos estudantes em luta na Unifesp.

Todo apoio à ocupação da Unifesp

Ousar lutar, ousar vencer!

Reunião Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comissão de Diálogo do Comando de Greve

Universidade Federal de São Paulo
Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Guarulhos, 03 de maio de 2012

Reunião Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comissão de Diálogo do Comando de Greve

Estão presentes: Luiz Leduíno (Pró-reitor de Assuntos Estudantis), Carlos Cazuza (Assessor de Gabinete da Reitoria), Prof. Fernando Cruz (Coordenadora de Políticas e Ações Afirmativa da PRAE), Prof. Cleber (Coordenador do NAE), estudantes (História, Sociais, Filosofia, História da Arte, Letras).

Apresentação e adendos:
Foi reconhecido que além dos problemas infraestruturais, vivemos atualmente uma crise política-institucional.
Foi colocado por um estudante a posição de alguns docentes do campus que se colocam abertos ao diálogo, mas no entanto tem agido de forma impositiva, como o exemplo dos professores de Letras que apresentaram um calendário de reposição antes do término da greve.
Também foi colocado pelos estudantes a questão da criminalização do Movimento Estudantil através de ações frequentes que impedem a nossa mobilização e/ou intimidam o movimento. (fechamento dos espaços do campus antes do horário, tropa de choque, etc).
Discussão da Pauta:
Eixo 1: Infraestrutura
Item 1: Prédio Novo

1) – Viabilidade da Comissão Paritária com membros da PRAE: o Movimento Estudantil pede a institucionalidade da Comissão. Para isso: necessidade de Portaria onde seria explicitado a interferência que essa comissão terá e a questão seria avaliada. A Comissão pode ter funções ampliadas, como por ex. acompanhar o aluguel do prédio no entorno. A Comissão teria caráter para além do campus.
– Conclusão do processo licitatório em setembro (se tudo correr tranquilamente). Depois de 30 dias, início da obra. Conclusão entre 18 meses a 24 meses. Prédio pronto e utilizável: 1º semestre de 2015.
– Medida emergencial: levantamento de prédios no entorno feito pelo corpo docente e estudo do levantamento para aluguel. Critérios: proximidade do campus, viabilidade de ocupar atividades administrativas e acadêmicas, salas de informática, biblioteca, etc. Necessidade de um Plano de ocupação: necessidade de um R.U., etc. A proposta é uma saída imediata logo após o aluguel do prédio. Comissão de Espaço Física e Infraestrutura estão pensando como será utilizado o espaço do campus

2) – Lei nº 12.527 de 18 de novembro de 2011 de Acesso à Informação Pública. Ficou comprometido que em uma próxima reunião o projeto poderia ser trazido. A única possibilidade de mudança do projeto são as paredes, que tem flexibilidade.

3) – O prédio está alugado por 50 meses. A Unifesp encaminhará um processo de desapropriação que será efetivado por decreto de utilização pública. A caixa econômica que define o preço da compra.
– A proposta é a compra do terreno e demolição do galpão para inseri-lo em um Projeto de Expansão que não existe.

4)Prédio da Stiffil: avaliado em 180 mil

5) A proposta do REUNI era instalar os novos centros de expansão em municípios que houvesse disponibilidade de estrutura por parte da prefeitura. O aluguel do CEU foi uma medida nesse sentido.

– A proposta do M. E. é que a utilização do CEU tenha um retorno para o bairro, com projetos de extensão, aulas direcionadas para os moradores, etc., e não para aulas de disciplinas da universidade.
– Foi colocado pela Prof. Fernanda a importância da parceria entre o governo federal e as prefeituras onde os campus estão localizados. Os estudantes defendem essa relação, mas com autonomia da universidade.
– Foi colocado também pelos estudantes que a expansão da universidade resolveria o problema do CEU.
– Não há possibilidade de resposta, mas representantes entendem o problema e entrarão em contato com a D. A. para trazer essa informação.

6) – Solicitar representatividade dos estudantes sobre como ocupar o prédio novo, garantindo espaços de convivência e espaços para as entidades estudantis (CA, IES, etc)

– Projeto de Expansão: proposta de utilizar a Comissão Paritária para participação nesse Projeto. Foi afirmado que o campus teria autonomia em relação ao Consu sobre a construção desse projeto.

Item 2: Moradia Estudantil

Comissão de R.U: o terreno acima do terreno do galpão está sendo negociado com o proprietário pela Unifesp. Os três terrenos acima do terreno do galpão pertencem a mesma construtora.

CIRU (Comissão de Implantação Residência Universitária): proposta de fazer da próxima reunião de trabalho da Comissão como pública e aberta para o acompanhamento dos estudantes.

Eixo 3: Repressão

– Legalmente, os processos não podem ser retirados nem pela universidade, nem pelo ministério público, mas atualmente eles estão “praticamente” arquivados, pois está parado.
– O M.E. pede um posicionamento político da universidade sobre esta questão. A PRAE se posiciona favorável a retirada dos processos e se compromete a trazer esse posicionamento da reitoria em uma próxima reunião.
– Foi levantado também pelos estudantes a questão do Código de Conduta Discente que não é aprovado pelo M. E., tendo em vista que ele legitima o controle institucional da mobilização estudantil. [Prof. Leduíno não está de acordo com essa interpretação]

Últimas ações referentes à greve dos estudantes:

– Há uma pressão grande direcionada à PRAE, especialmente institucional, para abrir Comissões de Sindicância no interior da universidade em relação a mobilização dos estudantes. Segundo o pró-reitor, há possibilidade de evitar a formação das Comissões de Sindicância se houver a retirada dos piquetes. O pró-reitor também mostrou o documento de alguns professores que apoiam a greve dos estudantes mas tem feito ponderações em relação a ação dos estudantes.

– Os estudantes solicitaram a abertura do B.O. e os nomes envolvidos. A PRAE se compromete a mostrar esse documento, mas afirma que não há nomes.

– PRAE: A greve é reconhecida como direito pela PRAE e Reitoria. No entanto, os estudantes colocaram que há uma deslegitimidade desse direito na prática, como nas discussões na Congregação, das ações dos professores.

– Foi questionado os gestores da PRAE, enquanto órgão em nome dos estudantes e que atuam de forma progressista no espaço institucional, se eles se retirassem do cargo atual caso algum estudante fosse punido. O pró-reitor disse que se comprometeria caso houvesse uma punição política dos estudantes.

– Tropa de choque no Ato na Reitoria: houve denúncia de que os estudantes iriam ocupar a reitoria.

Eixo 2: Acesso e Permanência
Item 1: Transporte

– Há uma agenda a ser definida com o governo do Estado para negociar medidas em relação ao transporte por meio da EMTU.

*

Tendo em vista a reunião de diálogo entre os estudantes em greve e a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantes, os estudantes solicitam uma reunião de negociação com a Reitoria e a presença da PRAE o mais urgente possível, de preferência até terça-feira.

A fala do Pró-Reitor é de que o Reitor se compromete a receber uma Comissão de Negociação dos estudantes apenas após o término da greve, e em São Paulo.

A posição dos estudantes é de que a greve só tem possibilidade de término com uma reunião de negociação com a reitoria. Reafirmamos a proposta de uma reunião entre uma Comissão de Negociação dos estudantes e a Reitoria, com a presença da PRAE, a ser realizada no campus o mais rápido possível.

Proposta da PRAE: indicativo de reunião na próxima terça-feira entre a PRAE os estudantes para terminar a discussão da pauta, mas a PRAE ficou de levar a proposta dos estudantes para a Reitoria.

Obs: A presente ata foi lida e assinada pelo Pró-reitor de Assuntos Estudantins, Luiz Leduíno, no dia 03/05/2012.

Carta aberta à população dos Pimentas

Carta aberta à população dos Pimentas

Pelo que lutam os estudantes que ocupam a diretoria da Unifesp

Em 2007, foi inaugurado o campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na cidade de Guarulhos. Localizado no bairro dos Pimentas, a promessa do governo era que a primeira universidade pública do município, principalmente pelo fato de estar localizada neste bairro, facilitaria o acesso da população ao ensino superior. Além disso, traria uma série de benefícios aos moradores, uma vez que a instituição prestaria inúmeros serviços por meio de seus projetos e pesquisas.

A população dos Pimentas, no entanto, está até hoje sem receber os ditos benefícios e, pior do que isso, praticamente não tem acesso às vagas oferecidas nos cursos da instituição. O número de alunos que residem no bairro e ingressam na Unifesp é extremamente reduzido. E estes moradores que são alunos da Unifesp, assim como o conjunto dos estudantes, têm uma série de dificuldades para se manter na universidade e dar continuidade aos seus estudos.

Além desta questão, a Unifesp ainda sofre com problemas estruturais. Não há uma infraestrutura adequada, prova disso é que o prédio definitivo da unidade até hoje não foi construído e, por este motivo, não existem salas de aula suficientes para os alunos estudarem. Por isso, a Unifesp teve que ocupar salas de aula que deveriam ser destinadas exclusivamente para a população do bairro no Centro de Educação Unificado (CEU). Na Unifesp, são oferecidas poucas bolsas de ensino, os valores destas são insuficientes e, também neste caso, quem mais sofre são os alunos mais pobres.

Os estudantes da Unifesp compartilham dos mesmos problemas da população do bairro por causa do descaso dos seguidos governos das esferas municipal, estadual e federal. Sofrem com um transporte público caro e de péssima qualidade, com a dificuldade de ter acesso à moradia e outros direitos fundamentais.

Por isso, desde o dia 22 de março os estudantes da unidade de Guarulhos estão em greve por melhores condições de ensino e, desde o dia 3 de maio, estão ocupando a diretoria da Unifesp. Os estudantes também lutam contra a repressão, pois o mesmo processo político usado para cassar os direitos democráticos da população também é usado para calar o movimento estudantil. A greve e a ocupação dos estudantes por uma universidade pública de qualidade, neste sentido, faz parte da mesma luta de toda a população por melhores condições de vida, contra a repressão policial e contra todas as medidas governamentais que têm como objetivo beneficiar um pequeno grupo de empresários e banqueiros que controlam o País à custa do sofrimento de milhares de pessoas.

Nós, estudantes que ocupamos a diretoria da Unifesp, também lutamos contra o fato das instituições de ensino superior serem locais fechados, onde a população não tem acesso e o conhecimento produzido ou serve para grandes empresas ou simplesmente é alheio aos interesses e necessidades do povo. Queremos por fim ao divórcio entre a universidade e a sociedade e, no nosso caso em particular, por fim às distâncias que existem entre a Unifesp e o bairro do Pimentas.

As universidades deveriam existir para promover o desenvolvimento do País, atender as necessidades da população e estar a serviço da causa política do setor mais explorado do povo. Elas, no entanto, foram até agora instituições que fizeram justamente o oposto disto.

Nós ocupamos a Unifesp contra esta triste realidade e, agora, chamamos toda a população a apoiar e tomar parte em nossa luta para que, de fato, a população possa desfrutar da universidade. A ocupação serve para que, a partir do crescimento desta luta, os moradores do bairro também possam, sem restrições como o vestibular, ingressar na Unifesp e, como consequência deste processo, que a Unifesp também sirva ao bairro e a toda população brasileira.

Uma universidade aberta e que esteja voltada para o interesse do povo. É nisto que nós acreditamos, é por isso que lutamos! E esta luta também é de todos os moradores do bairro dos Pimentas.

 

 

Manifesto da ocupação

 

Nós, que asssinamos este manifesto, os que ocupam a Diretoria do campus Guarulhos, não temos rosto nem RG, mas somos o coletivo que responde aos ataques dessa burocracia universitária. Não temos apenas opiniões individuais, mas, sobretudo, essas opiniões individuais – tantas vezes conflitantes – constroem ações coletivas.  Bem vindos à OCUPAÇÃO.

Importante ressaltar que, se é preciso chegar a essa situação, é unicamente responsabilidade dessa Administração que além de criar campi com o interesse de gerar votos eleitorais a cada dois anos – mas que, em verdade, cria uma Universidade em ruínas, sucateada, desde o seu início – levando a contradições que essa burocracia não consegue aguentar. Além disso, os responsáveis por tal situação se negam a negociar as nossas reivindicações. Até agora, a Reitoria se nega a negociar com o movimento de greve, como fica explícito na reunião com o Pró-Reitor de Assuntos Estudantis, prof. Leduíno, no dia 03/05.

Desde 2007, a Reitoria, assim como a Diretoria do campus só negocia, quando o cacetete policial e as promessas ilusórias não consegue colocar “panos quentes” na situação. Essa política habilidosa leva, muitas vezes, a confundir a opinião pública, a criminalizar o movimento estudantil como deliquentes, arruaceiros, bandidos, etc. Contudo, foi o ex-reitor Ulysses Fagundes Neto que renunciou após pressões de todos os lados devido aos desvios de milhões de reais gastos no cartão corporativo (desde viagens à Disney até a compra de barbeadores de marfim!). Quem deveria ser enquadrado como formação de quadrilha: os estudantes que ocuparam a reitoria contra os desvios de verba, ou o ex-reitor que foi obrigado a renunciar para tirar de cena todos os elos da corrupção que assola a UNIFESP?!

Apesar do Reitor Albertoni não estar (ainda) cambaleando, é claro e notório que essa Universidade vive uma crise política sem precedentes. Os acontecimentos na Baixada recentemente, o descaso de Guarulhos, a situação de Osasco, os campi desestruturados e a corrida ao ouro da expansão de mais e mais campi expressam isso. Não podemos aceitar essa ausência de projeto. Aceitaremos, mais e outra vez, essa situação? Não!

A Diretoria Acadêmica do campus Guarulhos, em seu desespero latente, tem respondido às reivindicações? De que forma? Desfazendo os piquetes; trancando as salas da Universidade; fazendo B.O. contra os estudantes; dando queixa na Polícia Federal e na Procuradoria; abrindo uma sindicância por dia a cada ação que o movimento dos estudantes visa garantir a greve, que tem sofrido duros ataques. Ou seja: os estudantes fazem greve; a Diretoria ataca o direito de greve desobstruindo os piquetes e incitando alguns setores a atacarem a Greve. O movimento defende os piquetes tendo em vista fortalecer a greve. Abrem-se sindicâncias contra os “supostos casos de violência” do movimento estudantil.

Soa até mesmo como uma história fantasiosa. Mas a tragédia é que essa história esquizofrênica é real. No dia 03 de maio de 2012, a Congregação da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) aprovou um ataque aos estudantes: abertura de sindicância (processo administrativo interno da universidade, de investigação-punição) sob alegação de desrespeito, agressão verbal, desacato, insulto, danificação aos bens sob responsabilidade da UNIFESP, e impedimento do livre exercício do trabalho no campus. Diante da gravidade dos ataques, o movimento deu a resposta.

Resistir aos ataques da burocracia. É isso que estamos fazendo. Responder à altura é mostrar a força do movimento e que esses ataques tem o fim de não negociar as reivindicações legítimas do movimento. Portanto, exigimos a reunião de negociação com o movimento de greve e a Reitoria!

Estudantes: as ações ilegais da Diretoria Acadêmica mostram seu desespero, e também deixam em relevo que sua cabeça está por um fio. Quem o derrubará? O reitor ou o movimento estudantil? O tempo dirá…

LUTAR! OCUPAR! CONQUISTAR!

Reitor e Diretor, vocês têm total responsabilidade pela crise institucional em que se aprofunda.

Até quando abusarás da nossa paciência, Reitoria e Diretoria? Até quando?

Moção de apoio da CSP-Conlutas

Moção de Apoio

A CSP-Conlutas faz parte da luta de todos os estudantes por um ensino de qualidade, que compreende, desde bons professores, até condições materiais mínimas , como salas de aula, laboratórios de pesquisa, moradia estudantil, transporte, bibliotecas, etc.

Neste sentido, prestamos solidariedade aos alunos grevistas da Universidade Federal de São Paulo, que há mais de 30 dias enfrentam a burocracia acadêmica, sofreram atentados, coação moral, mais de quarenta e oito processos políticos que se acumulam ao longo de seis anos de luta, e tem suas reinvindicações ignoradas ou deturpadas pelos principais veículos da Grande Imprensa.

Consideramos que é vergonhoso que o Governo Federal , que tanto se vangloria do ascenso econômico nacional, não considere uma prioridade de investimento o ensino público, gratuito e de qualidade para todos.

Fazemos um chamado a todos os sindicatos, movimentos sociais e entidades de base a apoiarem a greve do campus UNIFESP – Guarulhos.

Pelo fim da expansão sem investimento !

Pelo fim dos processos políticos !

Viva a luta dos estudantes !

Viva a aliança operário-estudantil !

Carta de apoio UNESP-Botucatu

CARTA DE APOIO dos Centros Acadêmicos da Unesp.

As entidades estudantis da universidade estadual paulista Julio Mesquita Filho, campus Botucatu, organizados pela Área de Vivência, apoiam as mobilizações dos estudantes da Universidade Federal de São Paulo, por melhores condições estruturais, como restaurante universitário, moradia estudantil, a construções de salas de aula, transporte, além da contratação de mais professores.

Entendemos que expansão irresponsável de cursos promovidas pelo governo federal e governo estadual de São Paulo precarizam o ensino superior, e é legitima as formas de reivindicações e de protestos realizadas pelos estudantes, tais como greve, paralisações e piquetes.
Assinam esta carta:

Centro Acadêmico ” V de Junho”
Centro Acadêmico ” Pirajá da Silva”
Diretório Acadêmico ” Walter Maurício Corrêa”

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES DA UNIFESP – CPPU

O que é conhecido hoje como CPPU (Cursinho Popular Pimentas Unifesp) é o fruto do trabalho de um coletivo que iniciou as discussões sobre a formação de um cursinho popular na Unifesp em 2007 e 2008.

            Hoje com o projeto já institucionalizado, dispomos de 20 bolsas de 360 reais e temos a possibilidade de recebermos capital em espécie (segundo a reunião do dia 21/03/2012  realizada  na Reitoria em conjunto com a Pró-Reitoria de Extensão e com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis).

É importante destacar que a realização do CPPU apenas foi possível porque o cursinho foi pauta de reivindicação das turmas de 2007 e 2008. Foi elaborado em 2009 e colocado em prática em 2010. Segundo o estatuto são considerados membros do projeto apenas os coordenadores, os professores e todos os colaboradores.

Para o ano de 2012 foram necessárias algumas reformulações em sua estrutura administrativa, devido a saída de dois membros que formavam a coordenadoria geral. Nas reformulações, o nosso projeto passou a ter apenas um membro em cada coordenadoria, num sistema planificado de coordenadorias. Deixava de existir naquele momento uma estrutura de poder para dar lugar a ideia de autogestão.

Com a entrada dos três novos membros nas coordenadorias, o grupo gestor passou a funcionar no modelo horizontal. Como não havia nenhuma coordenadoria sobreposta à outra, dois dos novos coordenadores formaram, sem discussão prévia, um blog. Blog este,  ao qual me foi negada a senha de acesso; um blog que contém todo o histórico, os relatórios para a Fap-Proex, frequência de alunos, rendimento, candidatos a aluno, bem como todo projeto estrutural e o estatuto do CPPU.

Quando novos professores são admitidos o processo se dá por meio de editais, mas é pelo blog que o candidato a professor se inscreve para posteriormente ser avaliado pelos coordenadores. Embora, os candidatos a professor sejam avaliados pelos coordenadores, apenas os coordenadores  que possuem a senha, do blog, podem decidir sobre o futuro dos candidatos a professor, porque o blog tem prevalecido sobre as reuniões de coordenadoria, fato que, no meu entendimento, caracteriza a falta de transparência e decoro.

Na prática o blog tem sido o órgão supervisor de todo o projeto e como o blog também é capaz de tomar decisões, a nossa estrutura planificada existe apenas no papel. O blog tem violado constantemente o estatuto.

O CPPU, como todo projeto de extensão da Unifesp, precisa ser renovado a cada ano. É fato que o nosso orientador não continuará conosco na próxima renovação do projeto. O CPPU está com uma vaga em aberto para orientador. Tal fato deu margem para o surgimento de propostas sobre candidatos a orientador por parte dos membros do projeto.

O termo ‘grupo gestor’ será empregado neste texto de modo técnico, para prevenção de incidentes pessoais. O que me refiro como grupo gestor são todos os cinco coordenadores da atual gestão. Com relação a saída de nosso orientador, o grupo gestor apresentou por meio de dois membros a proposta que “determinada professora do Departamento de Pedagogia” fosse a nossa nova orientadora, mas a proposta não avançou porque houve oposição de dois dos cinco coordenadores.

Nas idas e vindas ou mesmo na mudança do jogo entre atores no cenário político, a diretoria acadêmica entra em contato como ele, o blog, com o objetivo claro de agendar uma reunião com o grupo gestor. A data exata da reunião eu não sei, mas ela aconteceu nos dias que antecederam o  dia 14/04, o que eu sei são informações repassadas nos encontros de corredor com alguém que não participou da reunião, mas que recebeu repasse. Dos cinco coordenadores do grupo gestor, três compareceram, um não pode comparecer e eu sequer fui notificado por ele, o blog. Mas, de acordo com a nossa reunião com a Pro-Reitoria de Extensão e com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis realizada no dia 21/03/2012, a referida reunião tratou sobre verbas para desenvolvimento do projeto.

Neste mesmo contexto eu havia fechado com ele, o blog, uma aula de leitura no lugar de matemática, na quinta-feira dia 12/04. No sábado, compareço na Unifesp em data e hora marcada por ele, o blog, e assumi as aulas, quando de repente fui interrompido por um coordenador com o comunicando que aquela seria uma aula de matemática e que o professor era um estudante da Unifesp de São José dos Campos.

Naquele momento eu precisava assumir uma posição e então perguntei ao suposto professor de matemática se ele já havia dado uma aula expositiva para os coordenadores. A resposta foi negativa. Eu o informei que aquilo, talvez, fosse um engano e o notifiquei que antes de lecionar no CPPU é preciso apresentar uma aula expositiva aos coordenadores, e apenas por tal motivo ele não poderia assumir as aulas, mas que agendasse uma data para a exposição; deixei claro, entretanto, que  tínhamos interesse em mais um professor de matemática para o projeto e que minha negativa dava-se somente no sentido de manter as regras previamente estabelecidas e criadas para que se mantenha um nível mínimo de qualidade das aulas, evitando assim fatos desagradáveis que já haviam ocorrido no passado.

Como represália, ele, o blog e seus idealizadores, agora em número de três: coordenador geral, coordenador de comunicação e coordenador pedagógico, que, numa reunião nada amigável, propuseram a minha saída do projeto em troca de uma das 20 bolsas de 360 reais até o fim da minha graduação. Minha contra proposta foi chamar uma assembleia geral do CPPU para destituição de todo o grupo gestor, inclusive eu, coordenador administrativo; a assembleia será realizada no sábado, dia 05/05 às 16h10.

Abaixo segue minha proposta:

Destituição de todo o grupo gestor, eu incluso, de forma que os professores do CPPU possam assumir as coordenadorias. Caso os professores não queiram assumir as funções vagas, a questão deverá então ser decidida pelo coletivo de 3 000 estudantes da UNIFESP GUARULHOS, em assembleia geral.

Referida a verdade, dou fé:

Márcio Alex Leme – Coordenador Administrativo do CPPU

COMO AGEM OS ANTIGREVE

(Resistir Sempre)

Na última sexta-feira, dia 27 de abril de 2012, quando estudantes tentavam garantir a greve, evitando que houvesse aulas, um tumulto envolvendo professores e alunos contra a greve resultou em uma estudante grevista sendo agredida fisicamente por um aluno antigreve.

A característica comum dos antigreve é usar a palavra democracia como muleta para assistir aula durante a paralisação. Entretanto, se os antigreve se olhassem perceberiam que a maior parte dos seus colegas não está tentando entrar em sala.

A outra perna postiça do antigreve, já que ele não tem pernas próprias, é a tal da legalidade. Legalidade esta que não reprovou a agressão que a estudante sofreu pelo aluno fura greve. Nem quando, nesse mesmo dia, o professor Julio roubou uma bandeira de um integrante do movimento estudantil.

Uma bizarra legalidade que aprova petição online antigreve de e-mail institucional (atual direção acadêmica); que considera tapume como patrimônio público e bem permanente (bizarrice também apresentada pela dir. acadêmica); que não reivindica o fato de desde 2007 o tão esperado prédio ainda não ter sequer alvará (autorização da prefeitura para construção do prédio); que não se indigna com o desvio de dinheiro do atual reitor entre 2009 e 2010; que não reclama a gigante lista de irregularidades envolvendo as instituições privadas com a Unifesp publicadas no Diário Oficial da União; que não reprova o mísero repasse de verbas ao campus com o maior número de estudantes (Guarulhos), que fica com apenas 1/40 dos recursos financeiros da Unifesp… Esses e tantos absurdos quase cotidianos são legais na avaliação dos antigreve, já que esses não dão nem sinal de revolta para os problemas reunidos.

Democracia e legalidade que também não reprovaram quando a Tropa de Choque da Polícia Militar de SP ameaçou todo o ato na reitoria da Unifesp no dia 20 de abril desse ano. Além da presença da polícia ferir a liberdade de expressão dos manifestantes, o prédio da reitoria da Universidade Federal de São Paulo é um prédio da União, consequentemente a “segurança” do local teria de ser feita pela Polícia Federal ou similar.

Os antigreve demonstram sua estranha visão democrática desde a primeira assembleia desse ano, em 22 de março, após acompanhar a votação a favor da greve por maioria esmagadora com aproximadamente mil estudantes na plenária, um aluno (do PT) disse que em 2011 teve uma assembleia que encaminhou que tinha que ter indicativo de greve para ter greve.

Será que esse mesmo estudante retomaria decisões de assembleias de 2007 e 2008 que fossem imediatamente favoráveis a greves e ocupações assim como ele fez com o tal indicativo de greve de 2011?

Toda assembleia é soberana a ela mesma por no mínimo um motivo óbvio: as plenárias e a causa das pautas nunca são as mesmas. Os calouros de 2012 não integraram plenárias dos anos anteriores. E nunca se fez assembleia na Unifesp Guarulhos com cerca de mil estudantes, é o primeiro ano que isso vem ocorrendo.

A democracia do antigreve abertamente sobrepõe direitos individuais aos direitos coletivos. Com lustra móvel no rosto uma meia dúzia deles insiste em assistir aulas durante a greve com a alegação do direito de ir e vir de cada umbigo.

Há pelo menos dois tipos de antigreve, ambos agem movidos por questões individuais, um é aquele que seu medo de reprovar nas disciplinas faz com que cegamente siga os professores em tudo (como se vivessem eternamente no primário endeusando professores), a ponto de “acreditar” que é possível conquistar efetivamente um diploma faltando salas de aula e livros na biblioteca entre outros graves fatores de sucateamento da educação.

O outro antigreve é quem diz: “sou a favor da greve, mas, mas, mas…”. Se o primeiro já era covarde, o segundo é o cúmulo da covardia. Da mesma forma que o primeiro, ele acha que os professores são sorvete, com o agravante de querer sair bem na foto. Então com uma máscara de grevista aproveita qualquer fresta para pegar mangueira de bombeiro e jogar duchas de água gelada nos realmente grevistas, como exemplo o antigreve da primeira assembleia.

A perigosa negociação com os professores

Os professores como conhecem bem ambos os tipos de antigreve se aproveitam dos dois. E como quem não quer nada, professores de vários cursos estão chamando reuniões para discutir calendário letivo. Essas reuniões são para aumentar em alguns e incitar em outros o medo. “Medo é uma forma de fazer censura” já diria Gabriel O Pensador.

Estão sendo colocados pavores bobos como jubilamento dos calouros por não terem cumprido a rígida assiduidade dos primeiros trinta dias. Tem aproximadamente 600 calouros, imagine as consequentes dores de cabeça burocráticas (jurídicas e afins) e políticas que a instituição teria que arcar.

Por falar em questões jurídicas, os professores adoram lembrar em outras palavras “a escolha dos representantes estudantis será feita por meio de eleições do corpo discente e segundo critérios que incluam o aproveitamento escolar dos candidatos, de acordo com os estatutos e regimentos.” (Conforme artigo 38, § 2º)

Em outras palavras, por falta de argumentos políticos os professores usam a tão conservadora meritocracia para diminuir, mas apenas na aparência, as argumentações de alguns integrantes do movimento estudantil.

Para os alunos antigreve que vibraram ao ter uma ponta jurídica ao lado dos idolatrados professores, espero que sintam ao menos vergonha em saber que o artigo citado, 38, § 2º compunha a lei n° 5.540, de 28 de novembro de 1968 (lembra o que estava acontecendo nessa época no Brasil?), antiga LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).

Essa espécie de taxação por parte dos professores ao movimento estudantil é a mais comum, porém há outras. Na semana passada, o professor Jaime insinuou que um estudante que conversava com ele estava bêbado e por isso não entendia o que o aluno falava. Sendo que esse estudante sofreu um acidente de moto e por isso tem dificuldades de andar e falar.

Os professores progressistas desse campus existem, todavia desgraçadamente são raríssimos, e como se não bastasse o ínfimo número deles correm risco de sofrer sindicância entre outros processos administrativos, como o professor Pedro (por “estimular a greve estudantil”), semelhante à corrente ameaça aos estudantes.

O que mostra que há ainda fortes resquícios da ditadura de 64. Resquícios esses que também orientam a cabeça do professor Plínio. Na segunda semana de abril, esse professor disse: “vocês tem o direito de fazer greve, mas irão arcar com as consequências”. Igualmente, na ditadura militar havia o direito de protestar sendo as consequências a tortura, a morte.

A negociação da greve estudantil deve ser com a reitoria para cima (MEC, etc). E estamos em greve por nossos extensos problemas que fizeram com que tivéssemos uma extensa pauta que foi por vezes debatida durante essa greve. Os estudantes tiveram mais de uma oportunidade para discutir e rever a pauta calmamente com seus colegas. Vale a pena resistirmos e avançarmos a mobilização para conquistarmos as pautas.

Só podemos ter nossas reivindicações atendidas se não cairmos em armadilhas. Se escorregarmos em armadilhas sairemos além de cansados e abatidos politicamente teremos apenas migalhas materialmente. E aí sim teremos perdido o semestre, a greve e nossas pautas. É preciso lembrar que entramos em greve por justamente o semestre estar comprometido, afinal chegamos ao ponto de faltar literalmente salas de aula. Se não teve negociação e como se pode olhar ao redor no campus o semestre nesse sentido sim continua comprometido. E a culpa é da reitoria!

Por fim, antigreve, não se esqueça que se o grevista afundar você afunda também por estar no mesmo barco. Olhe menos para seu limpo umbigo e para seus deuses professores e mais para o lado, para os seus colegas que estão dispostos até a apanhar da Tropa de Choque se for preciso para que a pauta de todos seja atendida. Afinal, se você anda de ônibus Itaquera e come no Bandeijão, como exemplos, você está mordendo a fruta que caiu da árvore plantada por grevistas.

Na noite após ler esse texto, quando você antigreve colocar sua medrosa cabeça no travesseiro, no lugar de contar carneiros, cante:

O Mundo É Um Moinho – Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés